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ONU exprime à Arábia Saudita preocupação com o desaparecimento de jornalista

Jamal Khashoggi

Hasan Jamali

A Organização das Nações Unidas (ONU) exprimiu junto da Arábia Saudita a sua "preocupação" com o desaparecimento, que continua por explicar, do jornalista saudita Jamal Khashoggi, afirmou esta quinta-feira o porta-voz do secretário-geral, António Guterres.

"Não temos informação de fonte independente", disse Stéphane Dujarric, durante o encontro diário com os jornalistas, esclarecendo que a ONU "não faz parte do inquérito", Jamal Khashoggi, um editorialista crítico do poder de Riade e colaborador do diário norte-americano Washington Post, deixou de dar sinais de vida desde que entrou no consulado saudita em Istambul, em 2 de outubro.

Dirigentes turcos já avançaram que Khashoggi foi assassinado por agentes sauditas. Riade desmente esta acusação e mantém que ele saiu do edifício, mas sem adiantar provas em apoio desta versão.

Sem identificar os intervenientes de parte a parte, o porta-voz de António Guterres adiantou que os contactos entre responsáveis da ONU e da Arábia Saudita visaram transmitir "a preocupação [da ONU] com a situação de Khashoggi".

Os contactos realizaram-se em Nova Iorque, detalhou. António Guterres "não é tímido sobre este assunto" e sempre "defendeu os jornalistas de maneira muito forte", realçou Dujarric, indicando que tinha igualmente havido contactos com a Turquia a este respeito.

Também a presidente em exercício da Assembleia-Geral da ONU, Maria Fernanda Espinosa, está comprometida com a liberdade de imprensa, garantiu a sua porta-voz, Monica Villela Grayley, durante a sua conferência de imprensa diária.

Sobre o caso Jamal Khashoggi, a porta-voz declarou que é preciso "um inquérito independente e imparcial".

Segundo vários diplomatas, nenhum país membro do Conselho de Segurança se pronunciou até ao momento sobre a possibilidade de reunir a mais alta instância da ONU sobre o desaparecimento do jornalista saudita. Jamal Khashoggi, colaborador do jornal norte-americano The Washington Post e um reconhecido crítico do poder em Riade, está dado como desaparecido desde que entrou, no passado dia 2 de outubro, no consulado saudita em Istambul para tratar de questões administrativas.

A hipótese de Jamal Khashoggi ter sido assassinado tem vindo a ser equacionada nos últimos dias.

Ancara afirma que o jornalista nunca saiu do edifício do consulado saudita, mas as autoridades de Riade asseguram o contrário.

Segundo o Washington Post, os serviços de informações norte-americanos tinham conhecimento de um projeto saudita, que envolveria o príncipe herdeiro, Mohammed Ben Salmane, destinado a atrair o jornalista de 59 anos para uma armadilha, com o objetivo de detê-lo e transportá-lo para o país do Médio Oriente.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, já advertiu que o seu país não vai ficar em silêncio e sem reação face a este desaparecimento.

Lusa