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"Matérias tóxicas" encontradas no local do desaparecimento do jornalista saudita

Osman Orsal

Os investigadores turcos encontraram vestígios de "matérias tóxicas" no consulado da Arábia Saudita em Istambul, onde desapareceu o jornalista saudita Jamal Khashoggi, refere, esta terça-feira, a imprensa da Turquia.

Os meios de comunicação social citam o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, que falou hoje com um grupo de jornalistas a quem disse, segundo as notícias, que foram encontradas "matérias tóxicas" no consulado saudita em Istambul. O tipo de vestígios alegadamente encontrados não foi especificado.

As autoridades turcas acreditam que Khashoggi foi morto, tendo o cadáver sido esquartejado, no interior do consulado e transportado de avião para a Arábia Saudita. Médicos legistas acompanhados de técnicos de medicina forense estiveram, esta terça-feira, no edifício do consulado onde procederam à recolha de eventuais vestígios do alegado assassinato.

De acordo com fontes sauditas, a residência do cônsul, a pouco mais de dois quilómetros do consulado, vai também ser alvo de buscas por parte das autoridades policiais turcas.

Esta terça-feira, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, encontra-se reunido em Riade com o rei Salman da Arábia Saudita para falar sobre o desaparecimento do jornalista.

Jamal Khashoggi desapareceu no dia 2 de outubro depois de ter entrado no consulado saudita em Istambul onde pretendia obter um documento para poder casar-se com uma cidadã turca.

De acordo com uma notícia difundida, esta terça-feira, pela estação de televisão CNN, os sauditas devem admitir que o crime ocorreu, mas vão negar que o rei ou o príncipe tenham ordenado o assassinato.

O jornal norte-americano, New York Times, noticiou que o Tribunal Real Saudita deve sugerir que um responsável dos serviços secretos de Riade - amigo do príncipe Mohammed - levou a cabo o crime.

Segundo o New York Times, o príncipe aprovou o interrogatório e a transferência de Khashoggi para a Arábia Saudita, mas que os operacionais foram "tragicamente incompetentes".

Ambas as notícias, da CNN e do New York Times, citam fontes anónimas "próximas dos responsáveis" pela operação na Turquia no passado dia 2 de outubro.

Khashoggi escreveu várias vezes no Washington Post textos em que criticou abertamente o envolvimento da Arábia Saudita no conflito do Iémen, o recente conflito diplomático com o Canadá e a prisão de mulheres sauditas, ativistas de direitos humanos, mesmo depois de ter sido decretada o direito às mulheres sobre a condução de automóveis.

Lusa