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Investigadores procuram pistas sobre Jamal Khashoggi em casa de cônsul saudita na Turquia

Equipa forense nas instalações do conulado saudita em istambul.

ERDEM SAHIN

Investigadores turcos realizaram buscas, esta terça-feira, na casa do cônsul saudita Mohammed al-Otaibi, com o propósito de encontrarem novas pistas que ajudem a resolver o caso do jornalista desaparecido desde o dia 02 de outubro, Jamal Khashoggi, em Istambul.

As autoridades turcas suspeitam que o jornalista saudita tenha sido assassinado durante uma visita ao consulado da Arábia Saudita, em Istambul, avança a BBC.

A imprensa turca publicou hoje uma nova descrição do alegado assassínio do jornalista Jamal Khashoggi, no consulado saudita em Istambul, no mesmo dia em que o chefe da diplomacia norte-americana se reuniu com as autoridades turcas.

A descrição, divulgada pelo jornal pró-governamental turco Yeni Safak cita o que afirma ser uma gravação áudio da morte do jornalista saudita e colaborador do Washington Post, que desapareceu a 02 de outubro depois de ter entrado no consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia.

Segundo o jornal, na gravação é possível ouvir o Cônsul Geral saudita, Mohammed al-Otaibi, a dizer aos alegados torturadores de Khashoggi: "Façam isso lá fora, vão arranjar-me problemas", ao que os visados terão respondido: "Cala-te se quiseres viver quando regressares à Arábia Saudita".

A reportagem do Yeni Safak vem reforçar a pressão sobre a Arábia Saudita para que explique o que aconteceu ao jornalista, crítico do regime de Riade e que vivia exilado nos Estados Unidos desde 2017.

Os novos detalhes são conhecidos no dia em que o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, esteve reunido, em encontros separados em Ancara, com o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu. Os encontros duraram cerca de 40 minutos, foram divulgadas fotografias, mas não houve declarações publicas.

Mike Pompeo com o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu

Mike Pompeo com o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu

Leah Millis

Pompeo chegou à Turquia proveniente da Arábia Saudita, onde na terça-feira manteve um encontro com o rei Salman e com o seu filho, o príncipe Mohammed bin Salman.

Antes de deixar Riade, Pompeu disse aos jornalistas que os líderes sauditas assumiram o compromisso de investigar e responsabilizar quem quer que seja que tenha tido algum envolvimento no caso.

Os serviços de segurança turcos têm estado a usar a imprensa pró-governamental para revelar pormenores do caso com o objetivo de pressionar a Arábia Saudita a explicar o desaparecimento do jornalista.

As investigações na Turquia apontam para que Khashoggi tenha sido assassinado dentro do consulado, o que as autoridades sauditas negam.

Depois de falar na segunda-feira com o rei saudita, Trump pôs em causa o envolvimento do reino árabe no desaparecimento de Khashoggi, dizendo que os responsáveis "poderiam ter sido assassinos por conta própria".

O diário The New York Times e a estação televisiva CNN noticiaram na segunda-feira que a Arábia Saudita planeia reconhecer que o jornalista morreu sob a sua custódia no consulado, numa operação cujo controlo lhes escapou, um interrogatório que "correu mal", mas que tentará distanciar dos acontecimentos a cúpula do reino.

Na terça-feira, a CNN noticiou, citando uma fonte turca, que Jamal Khashoggi foi mesmo assassinado dentro do consulado saudita de Istambul há duas semanas e que o seu corpo foi em seguida desmembrado para ser retirado do edifício.