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Trump crê que verdade sobre caso Khashoggi se saberá no final da semana

Virginia Mayo

O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse esta quarta-feira acreditar que no final desta semana se saberá o que aconteceu ao jornalista saudita Jamal Khashoggi, desaparecido a 02 de outubro depois de entrar no consulado do seu país em Istambul.

Em declarações à imprensa na Sala Oval, Trump afirmou que Washington pediu à Turquia acesso às gravações áudio e vídeo relacionadas com o caso, "se é que existem".

"Quero saber o que aconteceu e de quem é a culpa, e provavelmente sabê-lo-emos antes de acabar esta semana", disse o Presidente norte-americano.Inquirido sobre se está a proteger a Arábia Saudita, Trump respondeu "de maneira nenhuma", mas insistiu em que esse país é "um aliado" dos Estados Unidos e um importante cliente das suas exportações, que fez "algumas das maiores encomendas da história" norte-americana.

"São um aliado e um tremendo comprador, não só de equipamento militar, mas também de outras coisas", sublinhou.

O chefe de Estado recordou também que o secretário de Estado, Mike Pompeo, chegará "hoje à noite ou amanhã de manhã (quinta-feira)" a Washington e lhe apresentará "um relatório completo" sobre as reuniões que manteve na Arábia Saudita e na Turquia acerca do caso Khashoggi.

À pergunta sobre por que não pediu à polícia federal norte-americana (FBI) que investigue o caso ou ajude a Turquia na investigação, Trump respondeu que Khashoggi "não era um cidadão" norte-americano, embora residisse em Washington.

Numa entrevista hoje emitida pelo canal televisivo Fox Business, Trump assegurou que não quer afastar-se da Arábia Saudita porque é um aliado demasiado importante.

"Precisamos da Arábia Saudita para a nossa luta contra todo o terrorismo e para tudo o que se está a passar no Irão e noutros locais", sustentou.

"Espero que o rei [Salman, da Arábia Saudita] e o príncipe herdeiro [Mohammed bin Salman] não saibam nada sobre o caso [Khashoggi]. Esse é um fator muito importante para mim", acrescentou Trump, referindo-se ao presumível assassínio do jornalista saudita crítico do regime do seu país e desde 2017 exilado nos Estados Unidos, onde era colunista do diário The Washington Post.

No dia 02 de outubro, Jamal Khashoggi foi visto a entrar no edifício do consulado saudita em Istambul, onde ia pedir documentação para o seu casamento com uma cidadã turca, e não chegou a sair.

O diário The New York Times e a estação televisiva CNN noticiaram na segunda-feira que a Arábia Saudita planeia reconhecer que o jornalista morreu sob a sua custódia no consulado, numa operação cujo controlo lhe escapou, um interrogatório que "correu mal", mas que tentará distanciar dos acontecimentos a cúpula do reino.

Segundo o diário nova-iorquino, cinco dos supostos 15 envolvidos no caso são próximos do príncipe herdeiro.

Na terça-feira, a CNN noticiou, citando uma fonte turca, que Jamal Khashoggi foi mesmo assassinado dentro do consulado saudita de Istambul há duas semanas e que o seu corpo foi em seguida desmembrado para ser retirado do edifício.

A polícia turca iniciou hoje buscas à residência do cônsul saudita, Mohammad Al-Otaibi, que, segundo a imprensa turca, estava presente no consulado quando Khashoggi foi morto, e que abandonou Istambul na terça-feira à tarde com destino a Riad.

Estas buscas, efetuadas por uma dezena de polícias, acontecem dois dias após pesquisas similares realizadas na segunda-feira no consulado saudita naquela cidade turca, onde se suspeita que foi perpetrado o homicídio de Khashoggi a 02 de outubro.

As buscas à residência do cônsul deveriam ter-se realizado na terça-feira, mas foram adiadas porque as autoridades sauditas argumentaram que a família do cônsul aí se encontrava ainda, indicou o chefe da diplomacia turca, Mevlüt Cavusoglu.

Lusa