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Viúva de 81 anos é a única habitante de ilha disputada pela Coreia e pelo Japão

À parte da contenda que dura há séculos pela soberania dos rochedos de Liancourt (Dokdo para a Coreia do Sul ou Takeshima para o japão) Kim Sin-yeol, de 81 anos, resiste na pequena ilha no meio do mar do Japão. Chegou aqui há 28 anos, em 1991, com o marido que, entretanto, morreu e que a deixou como a única residente da ilha vulcânica isolada.

Viúva de 81 anos é a única habitante de ilha disputada pela Coreia e pelo Japão

Kim Sin-yeol ficou assistindo às breves passagens dos turistas, dos polícias e dos guardas dos faróis mobilizados por pequenos períodos nas ilhas disputadas.

A quatro horas de ferry de terra firme, não é muito raro que as ilhas fiquem isoladas do resto do mundo. Basta que venha o mau tempo e a agitação marítima para que Kim Sin-yeol fique "orgulhosamente só".

Veio para aqui com o marido fazer mergulho livre. Era "haenyeo", uma mergulhadora tradicional, até 2017, quando a saúde a obrigou a sair do mar.

“Ela diz que viver em Dokdo é relaxante. Estar lá tranquiliza a mente”, afirmou Kim Kyung-chul, o genro de Kim Sung-do à CNN.

Temporariamente fora, Kim só pensa em voltar, mas já não deve vir só

Kim Sin-yeol está neste momento no Sul da Coreia, a viver na casa da filha, mas apenas porque a casa onde vive na ilha está a ser renovada até abril.

Kim vai voltar e não deve vir sozinha.

Muitos coreanos já manifestaram vontade em habitar na ilha, para reforçar a soberania do território, mas Seul tem consecutivamente negado o acesso e outros planos para a ocupação dos ilhéus.

"Há apenas espaço para uma família ficar como residentes", garantiu um funcionário do governo sul coreano.

Kim tem assim a única licença para residir permanentemente na ilha, mas a fragilidade do estado de saúde e o facto de estar tão isolada do resto do mundo devem levar a filha e o genro a pediram a extensão da residência permanente da mãe, para acompanharem a octogenária.

A filha e o marido querem vender selos, sabonetes e marisco aos turistas, a maioria sul coreanos, que cada vez mais visitam as ilhas.

A permanência na ilha é, assim mais do que um negócio de família.

“É um símbolo de que as ilhas são habitadas. Nunca ponderámos abandonar as ilhas Dokdo”, garantiu a filha que agora quer ser a segunda residente fixa da ilha.

Dokdo ou Takeshima? A ilha reclamada pela Coreia e pelo Japão

Desde a Segunda Guerra Mundial que o território é disputado por Seul e Tóquio.

A localização estratégica durante a guerra entre o Japão e a Rússia levaram Tóquio a anexar as ilhas, mas desde o século XII que há documentos que declaram a soberania coreana.

Em 1945, no final da segunda Guerra Mundial, o Japão foi obrigado a abdicar dos territórios tomados à força, mas nunca desistiu das ilhas Takeshima e, ainda hoje, há protestos e confrontos diplomáticos entre os dois países.

Em 1988, durante os Jogos Olímpicos de Seul a Coreia do Sul exibiu uma bandeira da ilha como parte do seu território, na cerimónia de abertura.

O Japão protestou e a bandeira foi alterada, mas, meses depois, a bandeira voltou a ser um “amargo de boca” quando surgiu numa sobremesa servida numa cimeira entre Coreias.

Seguiram-se novos protestos do Japão, nas ruas e ao mais alto nível.

Ainda no ano passado Tóquio insurgiu-se contra uma pesquisa científica sul coreana que pretendia levar sondas para alto mar e explorar o território.

O Gabinete do primeiro-ministro japonês apressou-se a condenar:

"A ser verdade o Japão não tolerará de forma alguma uma pesquisa científica em águas territoriais japonesas sem a devida autorização do governo japonês”, declarou Yoshihide Suga, chefe de Gabinete do primeiro-ministro japonês.