A autora francesa Corinne Maier falou sobre um dos seus livros mais polémicos, publicado em 2009. Com um registo humorístico e ao mesmo tempo crítico, Maier chegou a ser apelidada de "heroína da contracultura" pelo New York Times depois do sucesso mundial de uma das suas obras.
No livro "No Kids: 40 Good Reasons Not to Have Children" (Sem crianças: "40 boas razões para não ter filhos", em português), a autora confronta a noção idealizada de paternidade como um esforço natural e belo e enumera as várias razões pelas quais não vale a pena ter filhos.
Numa declaração à BBC Brasil, argumenta que "já é hora de pararmos de vender a ideia de que bebés são sinónimo de felicidade", acrescentando que "criar um filho é 1% de felicidade e 99% preocupação."
A questão financeira é também uma das razões mais evocadas pela autora. Mãe de duas crianças, Maier faz-se valer da experiência ao afirmar que "as crianças custam uma fortuna".
"Criar os meus filhos não só me deixou exausta, mas também me levou à falência", continua.
Mas nem só o dinheiro é problema para a autora. Defensora da ideia de que criar filhos é um trabalho sem fim e que os pais acabam por perder a identidade, sublinha que "ser mãe ou pai tornou-se um trabalho que consome muito tempo."
"Muitos pais envolvem-se de maneira excessiva na educação dos seus filhos e tornam-se "hiperpais", presentes em todas as frentes - garantem um pequeno-almoço balançado, levam a atividades extracurriculares, ajudam com os trabalhos de casa", defende Maier que considera que, atualmente, é obrigatório os pais sentirem-se realizados com a maternidade ou paternidade.
Defende ainda que o planeta está sobrelotado e que os pais estão a formar "miniconsumidores que nunca se vão cansar do capitalismo, que precisa de vender sempre mais." Questiona também a sustentabilidade do planeta, que não tem recursos para tantas pessoas.
"Vivemos numa sociedade obcecada por crianças. Um filho é considerado uma garantia de felicidade, um desenvolvimento pessoal e até um 'status social'.", acrescenta a escritora.
No final do texto deixa ainda uma mensagem às crianças:
"Crianças, bem-vindas e boa sorte na entrada neste mundo podre que os teus pais, que te amam muitíssimo, te deixaram. Eles passaram tanto tempo a cuidar de ti que não tiveram tempo de transformar o mundo. Eles desistiram, penduraram as chuteiras. A criança é o que há de mais importante... Vocês perdoam-nos, não é?"

