Um empresário de 52 anos foi detido pelas autoridades norte-americanas por ter morto uma mulher em 1993. A resolução do caso, ao fim de 26 anos, acontece depois da polícia cruzar dados de um site de genealogia com o ADN recolhido de um guardanapo.
O caso foi reaberto em 2015 por um agente do FBI, que decidiu voltar a analisar as provas devido aos avanços tecnológicos.
A prostituta Jeanne Ann Childs, ou Jeanie, foi morta em 1993 num apartamento na cidade norte-americana de Minneapolis. Foi esfaqueada repetidamente por todo o corpo, mesmo depois da sua morte. O quarto, sala e casa de banho estavam cobertos de sangue, descrevem os documentos oficiais.
Do local do crime foram recolhidas amostras de ADN, mas durante anos o caso permaneceu sem resolução. Dois suspeitos surgiram quando as amostras foram submetidas a uma base de dados genealógica.
Jerry Westrom, um empresário de 52 anos, foi um dos nomes. O homem tinha vivido na zona onde ocorreu o crime nos anos 90, e tinha sido condenado, em 2016, por solicitar serviços de prostituição.
Em janeiro deste ano as autoridades começaram a seguir o empresário, acabando por descobrir os locais públicos que frequentava. Foi assim que durante um jogo de hóquei da filha conseguiram recolher um guardanapo que o suspeito tinha utilizado enquanto comia. Dessa forma, puderam analisar uma amostra de ADN do homem e compará-la com as amostras recolhidas no local do crime 26 anos antes.
Jerry acabou por ser detido esta segunda-feira, depois do resultado dos testes ser positivo. Já em custódia, foi obrigado a conceder outra amostra que voltou a confirmar os testes anteriores. O ADN de Jerry coincidia com aquele encontrado em toalhas e no edredão do apartamento onde ocorreu o crime.
Às autoridades o homem negou conhecer Jeanie e alguma vez ter estado no seu apartemento. Jerry disse ainda que nunca teve relações sexuais com mulheres em Minneapolis em 1993.
A importância do site genealógico
Jerry Westrom foi identificado como possível suspeito depois das autoridades compararem o ADN recolhido na cena do crime com amostras numa base de dados de um site genealógico. Esta estratégia não é inédita, e em 2018 permitiu a descoberta do famoso “Golden State Killer”, um homicída que aterrorizou a Califórnia nos anos 80.
Há cada vez mais empresas que disponibilizam “kits” para testes de ADN em casa, que permitem que qualquer pessoa descubra a sua genealogia. Estes dados são posteriormente arquivados numa base de dados a que, em alguns casos, as autoridades têm acesso.
A prática tem gerado alguma contestação, por permitir que a informação genética de um indivíduo que utilize estes “kits” seja utilizada pela polícia para identificar membros da família. Sabe-se que pelo menos 15 milhões de pessoas fizeram estes testes de ADN e estão catalogadas em bases de dados na Internet.

