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Bernie Sanders anuncia candidatura às Presidenciais de 2020

O senador de 77 anos, que concorreu a candidato dos Democratas à Casa Branca nas eleições de 2016, volta à carga.

Bernie Sanders anuncia candidatura às Presidenciais de 2020
© Carlos Barria / Reuters

Nas eleições presidenciais de 2016, Bernie Sanders competiu com Hillary Clinton nas primárias do Partido Democarata. Clinton acabou por ganhar, tendo depois sido derrotada por Donald Trump em novembro desse ano.

Agora Bernie Sanders volta à carga. Anunciou hoje, durante uma entrevista a uma rádio de Vermont, estado pelo qual foi eleito senador, que vai concorrer ao lugar de candidato Democrata nas eleições presidenciais dos EUA em 2020.

"Queria informar primeiro os habitantes de Vermont", explicou.

10 candidatos democratas até agora

Bernie Sanders junta-se assim aos outros 9 nomes nomes já anunciados, entre os quais a senadora Elizabeth Warren, a senadora Kamala Harris, Kirsten Gillibrand e o ex-secretário da Habitação Julián Castro.

O vencedor das primárias Democratas enfrentará o atual Presidente, o Republicano Donald Trump, que já anunciou sua intenção de concorrer à reeleição.

Uma "agenda radical"

O senador independente pelo estado de Vermont, que tem uma agenda política de esquerda, diz que a sua candidatura pretende testar se as suas "ideias radicais" contra o sistema mantêm a popularidade que fez com que terminasse as primárias do Partido Democrata de 2016 em segundo lugar, logo atrás de Hillary Clinton, que posteriormente foi derrotada pelo candidato Republicano Donald Trump.

"A nossa campanha não é apenas para derrotar Donald Trump. É para transformar o país e criar um governo baseado em princípios de justiça económica, social, racial e ambiental", afirmou o senador, numa entrevista a uma rádio no estado de Vermont.

Bernie Sanders classifica-se como um "entusiasta progressista", tendo apresentado propostas para estender o programa de saúde Medicare a todos os cidadãos e para abolir as propinas nas universidades estatais.

"Há três anos, durante a campanha de 2016, quando trouxemos a nossa agenda progressista, disseram-nos que as nossas ideias eram 'radicais' e 'extremistas', referiu Bernie Sanders na entrevista radiofónica, dizendo que essas mesmas ideias são agora "apoiadas por milhões de americanos".

O sucesso das ideias que apresentou em 2016, que lhe valeu mais de 13 milhões de votos, será agora testado num ambiente político e partidário muito diferente, com vários candidatos Democratas já anunciados e posicionados para a corrida.

Concorrentes mais próximos

Uma das concorrentes mais próximas de Sanders nas primárias será a senadora pelo estado de Massachussets, Elizabeth Warren, que contratou para a sua comitiva a diretora da campanha de Bernie Sanders em 2016, Brendan Summers, e que confessou partilhar com o senador de Vermont muitos pontos de vista sobre matérias políticas relevantes, na área da saúde e do ambiente.

Mais ao centro do Partido Democrata, Sanders terá também a concorrência de Kamala Harris, da Califórnia, que apelidou Sanders de "socialista", dizendo que não são essas as ideias de que o partido precisa.

Outros nomes democratas em perspectiva

Vários nomes ainda são possibilidade no lado dos Democratas, mas ainda não oficializaram as suas candidaturas, onde pontuam Joe Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama, a senadora Amy Kloubuchar, os senadores Cory Booker e Sherrod Brown, o 'mayor' de Los Angeles, Eric Garcetti, ou o bilionário Michael Bloomberg.

Sejam quais forem os seus adversários internos, é quase certo que todos quererão discutir com Bernie Sanders a sua política de controlo de armas, que tem provocado muita celeuma, com o senador de Vermont a pedir imunidade para os construtores de armas sujeitos a casos judiciais e a ter o apoio da polémica associação nacional de armas (NRA -- National Riffle Association).

Mas Sanders diz que quer centrar a sua campanha a desmontar erros de estratégia de Donald Trump e que pedirá aos eleitores para escolherem um candidato "anti-establishement", que defenderá os direitos dos cidadãos contra "os obscuros grupos de interesses que dominam Washington".