Mundo

Vítimas de abusos apresentam plano de ação contra padres pedófilos

Organização defende que o plano devia ser adotado face ao que classificam como ausência de respostas concretas da Igreja.

A Organização Global de Vítimas (ECA) apresentou esta segunda-feira um plano de ação contra os padres pedófilos e os bispos que ocultavam casos, considerando que deveria ser adotado pela Igreja.

A organização defende que o plano devia ser adotado face ao que classificam como ausência de respostas concretas da Igreja após a cimeira sobre abusos sexuais realizada no Vaticano.

O plano está dividido em três temas que foram abordados no Vaticano: responsabilidade, prestação de contras e transparência.

A associação de vítimas exige que um membro do clero considerado culpado de qualquer tipo de abuso infantil deve ser "imediatamente expulso do cargo e do sacerdócio" tal como quem esconder o caso, pede que toda a documentação sobre os casos seja transmitida às autoridades civis e que em nenhum momento possa ser destruída, bem como que denunciem aos magistrados nacionais qualquer denúncia que recebam de casos de abuso a menores.

Outra medida é eliminar a imunidade dos diplomatas do Vaticano para que possam ser julgados onde cometeram os crimes.

A associação exige ainda que as conferências episcopais compensem as vítimas de abusos e que sejam publicados todos os registos e arquivos com os religiosos que cometeram abusos.

"Este é o plano de ação que o Papa Francisco deveria ter apresentado no seu discurso em vez de falar em generalidades", disse o porta-voz a organização em Espanha, Miguel Hurtado que denunciou abusos de um monge da abadia de Monserrat.

Hurtado apontou que a tolerância zero prometida pela Igreja deve começar "com a imediata expulsão daqueles que abusaram de uma criança" e explicou que algumas dessas medidas foram apresentadas na reunião com o comité organizador da cimeira, na quarta-feira, e que "nenhuma delas foi incluída no documento final do Vaticano (o discurso do papa)".

Miguel Hurtado considera que o que o Papa Francisco disse no domingo "não é diferente do que foi prometido pelo papa João Paulo II ou Bento XVI".

"Por que temos que acreditar que isso acontecerá agora?", questionou.

A respeito do pedido de tempo do Vaticano para elaborar suas propostas após a cimeira, Miguel Hurtado lembrou que "é preciso muito pouco tempo para violar uma criança".

O Papa Francisco apresentou no domingo oito passos para a luta contra os abusos a menores na Igreja católica no final de uma cimeira histórica com responsáveis de episcopados e institutos religiosos.

"Nenhum abuso deve jamais ser encoberto [como era habitual no passado] e subestimado, pois a cobertura dos abusos favorece a propagação do mal e eleva o nível do escândalo", começou por referir perante os 190 representantes da hierarquia religiosa e 114 presidentes ou vice-presidentes de conferências episcopais de todo o mundo que estiveram reunidos desde quinta-feira no Vaticano.

De acordo com o Papa Francisco, o primeiro ponto prende-se com a necessidade de "defender as crianças" e para isso instou a "mudar a mentalidade para combater a atitude defensiva" de salvaguardar a igreja.

Reiterou a obrigação de "total seriedade" na igreja na hora de abordar os casos e, assegurou que não se cansará de fazer tudo o necessário para levar perante a justiça qualquer um que tenha cometido tais crimes".

"A igreja nunca tentará encobrir ou subestimar nenhum caso", assegurou.

O Papa também indicou a necessidade de maior cuidado na "seleção e formação de candidatos ao sacerdócio" e que as Conferencias Episcopais tenham "parâmetros com o valor de normas e não apenas orientação", além de "desenvolver uma nova e efetiva abordagem à prevenção em todas as instituições e ambientes de atividade eclesial".

Lusa

  • António Costa desvaloriza sondagens favoráveis para o PS
    2:51
  • "Nenhum voto deve ser desperdiçado"
    2:50