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Ataque contra cerimónia oficial em Cabul fez pelo menos três mortos e 22 feridos

Omar Sobhani

O atentado acontece poucos dias depois de contactos entre talibãs e representantes dos EUA, no Qatar, para negociar a paz no Afeganistão.

As várias explosões, seguidas de focos de incêndio, ocorridas junto ao local onde decorria uma cerimónia oficial em Cabul, fizeram pelo menos três mortos e 22 feridos, segundo fonte oficial afegã.

De acordo com o primeiro balanço divulgado pelo porta-voz do Ministério da Saúde do Afeganistão, Wahidullah Mayar, através da rede social Twitter, o ataque provocou três mortos e 22 feridos, entre os quais, três crianças.

"Alguns compatriotas morreram ou ficaram feridos" na sequência do ataque, refere uma breve nota da Presidência do Afeganistão sem fornecer mais detalhes sobre o ataque.

"Mantenham-se calmos, a explosão não é aqui" alertou o antigo presidente da Assembleia Nacional, Mohammad Younnus Qanooni, aos participantes da cerimónia que contava com a presença do chefe do Executivo, Abdullah Abdullah, e do antigo chefe de Estado, Hamid Karzay, além de outras altas figuras do Estado.

A cerimónia política, na zona ocidental da capital, assinalava a morte de Abdul Ali Mazari, líder da minoria Hazara, assassinado em 1995 pelos talibãs.

Segundo testemunhas, uma segunda explosão atingiu uma área próxima do local, tendo um participante apelado à calma através dos microfones do comício, referindo que se tratava de um tiro de morteiro.

A transmissão televisiva da cerimónia foi interrompida pouco depois das explosões.

"O ataque foi lançado de um edifício, tendo as forças de segurança cercado a zona. Uma pessoa foi detida, mas quatro (atacantes) continuam no interior do prédio", disse à cadeia de televisão Tolo News, o porta-voz do Ministério do Interior, Nasrat Rahimi.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Salahuddin Rabbani, que participava no encontro, disse numa mensagem no Twitter que "terroristas" tinham lançado foguetes durante a cerimónia, acrescentando que se encontrava em segurança.

O ataque hoje em Cabul, que ainda não foi reivindicado, ocorre poucos dias após os contactos entre talibãs e representantes dos Estados Unidos, no Qatar, e que visam negociar a paz no Afeganistão.

O último ataque em Cabul registou-se em janeiro contra um complexo das forças de segurança e foi reivindicado pelos talibãs, sendo que os combates entre os militares e os extremistas islâmicos são quotidianos em várias regiões do país.

Na quarta-feira, o Ministério da Defesa anunciou a morte de "92 terroristas" em confrontos que tiveram lugar em 34 zonas do Afeganistão.

Com Lusa