Mundo

Corpos de alpinistas mortos no Evereste expostos devido ao degelo de glaciares

Phurba Tenjing Sherpa

Quase 300 alpinistas morreram a tentar chegar ao topo do Evereste.

Os operadores de expedições no Evereste estão preocupados com o número de corpos de alpinistas que estão a ser expostos pelo degelo dos glaciares.

"Devido ao aquecimento global, o manto de gelo e os glaciares estão a derreter depressa e a expor corpos que permaneceram enterrados todos estes anos", disse Ang Tshering Sherpa, ex-presidente da Associação de Montanhismo do Nepal.

A subida ao ponto mais alto do planeta, na cordilheira dos Himalaias, já custou a vida a cerca 300 pessoas, revela a BBC. Estima-se que mais de dois terços dos corpos estejam ainda enterrados na neve.

"Nós retiramos os corpos de montanhistas que morreram em anos recentes, mas os mais velhos começam agora a aparecer", acrescentou Ang Tshering Sherpa.

Também um funcionário do Governo, que trabalhou como oficial de ligação no Evereste, disse que conhece a realidade de perto. "Eu próprio retirei cerca de 10 cadáveres, nos últimos anos, em diferentes locais e, claramente, agora surgirão mais".

Recentemente, é no glaciar de Khumbu, no nordeste do Nepal, que têm sido encontrados mais cadáveres, a par da área do acampanhamento 4, que se situa perto do topo.

"Percebemos que o nível do gelo em torno do acampamento tem vindo a diminuir e é por isso que os corpos estão a ficar expostos", disse um funcionário de uma organização não-governamental.

Um terços dos glaciares dos Himalais podem derreter até 2100

Vários estudos revelam que os glaciares do Evereste, assim como uma grande parte da Cordilheira dos Himalaias, estão a derreter.

HANS EDINGER

Um terço dos glaciares das montanhas do Hindu-Kush-Himalaias poderão derreter até ao fim do século se o planeta continuar a aquecer por causa dos gases de efeito de estuda, revela um estudo do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado da Montanha, uma organização sedeada em Katmandu, no Nepal,

Mesmo que se limitasse o aumento da temperatura global a 1,5 graus até 2100, cumprindo a meta do acordo de Paris de 2015, a região do Hindu-Kush-Himalaias perderia um terço do gelo, afetando também os 250 milhões de pessoas que vivem nas zonas montanhosas.

"O aquecimento global pode transformar os picos montanhosos gelados que atravessam oito países em montanhas de rocha nua em menos de um século. As consequências para as populações da região, que já é uma das zonas montanhosas mais frágeis e em risco, irão da poluição atmosférica ao aumento dos fenómenos climáticos extremos", alertou.

Ao influenciar o volume e as alturas dos degelos, o aquecimento global põe em risco a produção agrícola que depende da água que corre da montanha, prejudicando a segurança alimentar e assoberbando os sistemas de distribuição de água urbanos.