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ONU sublinha que estatuto dos Montes Golã não muda com decisão de Trump

Ammar Awad

Os Estados Unidos tornaram-se o primeiro país a reconhecer a soberania de Israel.

A ONU sublinhou esta segunda-feira que a decisão do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reconhecer a soberania de Israel sobre os Montes Golã não muda em nada o estatuto internacional dessa zona arrebatada à Síria.

"Para nós, o estatuto dos Golã ocupados está consagrado nas resoluções do Conselho de Segurança. A posição não mudou", disse à imprensa Stéphane Dujarric, o porta-voz do secretário-geral da organização, António Guterres.

Segundo Dujarric, "para o secretário-geral, é claro que o estatuto dos Golã não mudou", apesar da decisão de Trump.

Os Estados Unidos tornaram-se o primeiro país a reconhecer a soberania de Israel sobre uma área estratégica que ocupou à Síria desde a Guerra dos Seis Dias, de 1967, e que anexou em 1981.

Essa anexação nunca foi reconhecida pela comunidade internacional, e o Conselho de Segurança aprovou em 1981 por unanimidade uma resolução que declarava "nulas" e "sem efeito jurídico internacional" as decisões de Israel de impor as suas leis e a sua administração nesse território.

A ONU tem desde 1974 uma missão de paz destacada nos Golã, que se encarrega de manter o cessar-fogo entre Israel e a Síria e de vigiar a aplicação do acordo de retirada.

Precisamente esta semana, na quarta-feira, o Conselho de Segurança tenciona rever a situação dessa operação, uma coisa que faz regularmente.

Antes disso, na terça-feira, o órgão máximo de decisão das Nações Unidas realizará o seu encontro mensal sobre o Médio Oriente e o conflito israelo-palestiniano, no qual 'a priori' se poderá também abordar a decisão de Trump.

"Isto é uma coisa que deveria ter sido feita há muitas décadas", disse esta segunda-feira Trump ao rubricar a proclamação presidencial, juntamente com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca.

Inquirido pela imprensa, Dujarric disse que, por enquanto, não está previsto qualquer contacto de Guterres ou outros elementos da ONU com o Governo norte-americano em resposta a esse passo.

Lusa

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