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HRW apela à primeira-ministra neo-zelandesa que defenda muçulmanos na China

Edgar Su

Jacinda Ardern visita Pequim duas semanas depois de um atirador ter matado 50 fiéis, em duas mesquitas, na Nova Zelândia.

Um grupo de defesa dos Direitos Humanos instou hoje a primeira-ministra nova-zelandesa a abordar a detenção de um milhão de muçulmanos em campos de internamento na China, durante a visita a Pequim, na próxima semana.

Jacinda Ardern visita a capital chinesa duas semanas depois de um atirador ter matado 50 fiéis, em duas mesquitas, na Nova Zelândia.Lembrando que Ardern "defendeu vigorosamente os direitos dos muçulmanos" após os ataques, a Human Rights Watch (HRW) apelou a que o faça novamente durante a visita a Pequim.Organizações não-governamentais estimam que a China mantém detidos cerca de um milhão de membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigure, em campos de doutrinação política, na região de Xinjiang, extremo noroeste do país.

Antigos detidos relataram maus tratos e violência, e afirmam terem sido forçados a criticar o islão e a sua própria cultura, e a jurar lealdade ao Partido Comunista.Depois de, inicialmente, negar a existência dos campos, Pequim diz agora que se tratam de centros de "formação vocacional", destinados a treinar uigures, como parte de um plano para trazer a minoria étnica para o mundo "moderno e civilizado", e eliminar a pobreza no Xinjiang.

Desde que, em 2009, a capital do Xinjiang, Urumqi, foi palco dos mais violentos conflitos étnicos registados nas últimas décadas na China, entre os uigures e a maioria han, predominante em cargos de poder político e empresarial regional, a China tem levado a cabo uma agressiva política de policiamento dos uigures.

O Governo chinês considera que a repressão é necessária para combater o separatismo e o extremismo islâmico, enquanto ativistas uigures afirmam que serve apenas para alimentar as tensões.A HRW disse que Ardern devia apelar publicamente aos líderes chineses para que encerrem os campos, acabem com os abusos e permitam o acesso de observadores internacionais independentes a Xinjiang.

Membros de grupos muçulmanos, incluindo os cazaques e os hui, também enfrentam internamento e outras formas de repressão.

Embora os países muçulmanos tenham permanecido em grande parte silenciosos, alguns países europeus e os EUA têm criticado abertamente os campos e outros abusos contra os muçulmanos chineses.

Na quarta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, reuniu com ex-detidos e com os seus familiares. Através da rede social Twitter, pediu à China que "ponha fim a estas políticas contraproducentes e liberte todos aqueles que foram detidos arbitrariamente".

"O mundo não pode aceitar a hipocrisia vergonhosa da China em relação aos muçulmanos. Por um lado, a China abusa de mais de um milhão de muçulmanos no seu território e, por outro, protege grupos terroristas islâmicos violentos de sanções da ONU", escreveu Pompeo.

O secretário de Estado norte-americano referia-se à decisão de Pequim de recusar repetidamente designar como terrorista Masood Azhar, o chefe da organização jihadista Jaish-e-Mohammad, que está baseado no Paquistão.

Lusa