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Mais de 3.000 migrantes detidos na Líbia em condições desumanas

Hani Amara

Os migrantes estão distribuídos por centros situados no meio dos combates pela conquista da capital da Líbia, Tripoli.

Mais de 3.000 migrantes encontram-se em centros de detenção em Tripoli em condições desumanas, com falta de água e alimentos e propensos a doenças mentais, denunciou esta quinta-feira a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

Num comunicado, a organização não-governamental recorda que a maioria daquelas pessoas chegou à Líbia fugindo da guerra e da pobreza nos seus países e que é necessária uma solução para que não optem por alternativas perigosas.

Os migrantes estão distribuídos pelos centros de Qasr Bin Gashir, Abu Salim e Sabaa, situados no meio dos combates pela conquista da capital da Líbia, Tripoli, que opõem as forças do Governo de Acordo Nacional, reconhecido pela comunidade internacional, ao Exército Nacional Líbio proclamado pelo marechal Khalifa Haftar, homem forte do leste do país.

Desde o início da ofensiva de Haftar, em 4 de abril, foram mortas 443 pessoas e 2.110 ficaram feridas. A ONU estima ainda o número de deslocados em cerca de 55.000.

"Vários centros de detenção (...) estão perigosamente perto das linhas da frente", indicou a MSF.

À violência juntam-se as dificuldades de acesso a alimentos básicos e água, o que se tornou "uma das principais preocupações" da ONG, adianta.

"Alguns detidos queixam-se de não ter comido durante vários dias", afirma a organização, referindo que as suas equipas médicas também constataram um grande aumento das doenças mentais entre os migrantes.

Perante a situação, a MSF "insiste que todos os migrantes que se encontram nos centros de detenção de Tripoli devem ser retirados de imediato do país".

Reafirma também que "as partes em conflito devem garantir que os civis e as infraestruturas civis estão protegidos e que o pessoal médico e humanitário é respeitado e protegido em qualquer circunstância".

Na quarta-feira, o porta-voz da ONU Stephane Dujarric disse que a organização está "muito preocupada" com os relatos que chegam de ataques aéreos que esta semana se intensificaram sobre um centro de detenção de migrantes, em Tajoura, a leste de Tripoli, havendo já dois feridos a registar.

Lusa