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UE, França, Alemanha e Reino Unido rejeitam ultimato do Irão sobre novo acordo nuclear

Leonhard Foeger

"Vemos com enorme preocupação a declaração feita pelo Irão" explica a chefe da diplomacia da UE.

A União Europeia (UE), França, Alemanha e Reino Unido manifestaram hoje "enorme preocupação" após o ultimato feito pelo Irão que exigia um novo acordo nuclear, rejeitando a ameaça de Teerão, e pediram o cumprimento do plano de ação existente.

"Vemos com enorme preocupação a declaração feita pelo Irão relativa aos seus compromissos no Plano de Ação Conjunto Global", mais conhecido pelo acordo nuclear, indicam numa declaração conjunta hoje divulgada a chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, e os ministros dos Negócios Estrangeiros da França, Alemanha e Reino Unido.


Na quarta-feira, o Presidente do Irão, Hassan Rouhani, deu 60 dias às potências mundiais para se negociar um novo acordo nuclear, caso contrário retomará o enriquecimento do urânio, e anunciou a redução de compromissos firmados no pacto de 2015.


Reagindo hoje, a UE e aquelas potências "rejeitam qualquer ultimato", assinalando que vão "avaliar o respeito do Irão pelos seus compromissos nucleares", tanto relativamente ao Plano de Ação Conjunto e como ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.


"A esse respeito, lembramos o papel fundamental da Agência Internacional de Energia Atómica na monitorização e na verificação da implementação pelo Irão dos seus compromissos nucleares", acrescentam.


Na declaração conjunta, a UE, França, Alemanha e Reino Unido vincam que continuam "totalmente comprometidos com a preservação e a plena implementação" do Plano de Ação Conjunto Global, classificando-o como "uma conquista fundamental da arquitetura global da não-proliferação nuclear, que é do interesse de segurança de todos".


Por isso, pedem "veementemente que o Irão continue a respeitar na íntegra os seus compromissos" no âmbito desse acordo, "como tem feito até agora, e que se abstenha de quaisquer medidas de tensão".


"Ao mesmo tempo, recordamos os nossos compromissos firmes ao abrigo do acordo, incluindo no que se refere ao levantamento de sanções em benefício do povo iraniano", adiantam lamentando, a esse respeito, as novas sanções dos Estados Unidos e a sua retirada do plano de ação.


E garantem estar à procura de formas que permitam continuar o "comércio legítimo" de petróleo com Teerão.


A UE e estas potências pedem, ainda, aos países que não assinaram este Plano de Ação Conjunto Global, em 2015, que "se abstenham de tomar quaisquer ações que impeçam a capacidade das restantes partes em cumprir integralmente os seus compromissos".


No ultimato feito na quarta-feira, Hassan Rouhani afirmou que o país vai deixar de limitar as suas reservas de urânio e água pesada, uma decisão que contraria o acordo nuclear.


Também nesse dia, o Irão enviou cartas, nas quais informa da sua decisão os líderes do Reino Unido, China, UE, Rússia, França e Alemanha, todos signatários e apoiantes do acordo nuclear.
A pressão sobre o setor petrolífero aumentou no mês passado, quando Washington decidiu não renovar as isenções para a compra de petróleo cru iraniano por parte de oito países, incluindo grandes importadores, como a China, a Rússia e a Turquia.


Além disso, o Departamento de Estado dos EUA anunciou na sexta-feira a imposição de novas sanções com o objetivo de restringir o programa nuclear iraniano.


A UE adotou uma série de medidas para tentar neutralizar as sanções dos EUA, incluindo um canal de pagamento especial, mas, por enquanto, sem sucesso.


Os EUA consideram haver "uma ameaça credível" por parte de Teerão, que justifica a intensificação da sua presença militar na região.

Lusa