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Reino Unido teme conflito "acidental" no Golfo entre Irão e EUA

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Londres alerta para os riscos da tensão crescente entre os Estados Unidos e o Irão no Golfo Pérsico

Henry Nicholls

O alerta partiu do ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Jeremy Hunt, à chegada a Bruxelas para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia.

"Estamos muito preocupados com o risco de um conflito acidental devido à escalada das tensões e vamos compartilhar essas preocupações com nossos parceiros europeus e Mike Pompeo", disse Hunt à chegada a Bruxelas.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo foi convidado para o encontro dos chefes da diplomacia da UE.

"Devemos ter cuidado para não colocar o Irão de volta no caminho da nuclearização, porque se o Irão se tornar uma potência nuclear, os seus vizinhos provavelmente quererão tornar-se potências nucleares", disse Hunt.

O Secretário de Estado dos EUA; Mike Pompeo, à chega para a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, para a qual foi convidado

O Secretário de Estado dos EUA; Mike Pompeo, à chega para a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, para a qual foi convidado

Francisco Seco

"É a região mais instável do mundo"

Hunt disse que é preciso "um período de calma, para garantir que todos entendam o que o outro lado pensa".

"Esta é a região mais instável do mundo e seria um grande passo na direção errada", alertou o ministro britânico.

As tensões entre os Estados Unidos e o Irão aumentaram desde a semana passada.

Teerão anunciou a suspensão de alguns dos seus compromissos no âmbito do acordo nuclear, um ano após o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter desistido deste acordo e imposto sanções aos iranianos.

O Plano Conjunto de Ação (ou Joint Comprehensive Plan of Action - JCPOA -, em inglês) é um acordo firmado a 14 de julho de 2015 em Viena pelo Irão e pelos países com assento no Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha, e que visa restringir a capacidade do Irão de desenvolver armas nucleares.

Teerão também lançou um ultimato aos europeus, ainda ligado ao acordo, dando-lhes dois meses para garantir a normalização dos setores do petróleo e bancário do Irão, que sofrem com as sanções impostas pelos EUA.

Caso contrário, a República islâmica vai desistir de outras restrições impostas ao seu programa nuclear.

Os países europeus rejeitaram esse ultimato do Irão.

Washington acusa Teerão por sua participação no planeamento de um ataque "iminente" e decidiu enviar um navio de guerra e uma bateria de mísseis Patriot para o Golfo Pérsico, onde já estão um porta-aviões e bombardeiros B-52.