Mundo

Facebook suprime 265 contas falsas de origem israelita

Dado Ruvic

Estas contas produziam conteúdo político falso sobre países africanos.

O Facebook anunciou hoje que suprimiu 265 contas, páginas e grupos falsos de origem israelita que produziam conteúdo falso sobre a vida política de diversos países africanos.

"As pessoas por detrás desta rede recorreram a contas falsas para difundir os seus conteúdos e agregarem artificialmente um maior público", explicou Nathaniel Gleicher, responsável da política de cibersegurança do Facebook.

A rede social anunciou ter suprimido 65 contas no Facebook, 161 páginas, 23 grupos, 12 eventos e quatro contas no Instagram (o seu serviço de partilha de fotografias).

As páginas falsas no Facebook eram seguidas por aproximadamente três milhões de contas.

Paralelamente, desde 2012, foram gastos cerca de 727.24 euros em publicidade ligada a estes conteúdos.

Além de países africanos como a Nigéria, Senegal, Togo, Angola, Níger e a Tunísia, as contas suprimidas dirigiam-se também aos públicos da América Latina e do sudeste asiático, publicando informações ligadas às eleições dos mesmos e criticando diversas personalidades políticas, segundo o Facebook, que publicou três exemplos redigidos em francês.

Um deles foi uma publicação de uma página chamada 'La RDC secret', dirigida ao público da República Democrática do Congo, que mostrava um 'cartoon' que criticava Martin Fayulu, líder do partido Envolvimento para a Cidadania e o Desenvolvimento ('Engagement for Citizenship and Development').

Na legenda, podia ler-se: "Fiel somente a si próprio, Martin Fayulu critica e rejeita os resultados das eleições presidenciais, que se desenrolou de forma transparente e numa calma exemplar. Está na altura de admitir a sua derrota para o presidente Tshisekedi, que foi eleito de forma democrática".

Outro exemplo foi o da publicação de uma página chamada 'L'Afrique Cachée', que afirmava que o grupo Airbus era citado numa investigação judicial por fraude numa mina de ouro no Mali.

Segundo a publicação, o projeto de investimento do gigante aeroespacial nessa mina, estreitamente ligado ao Governo maliano, visava limpar fundos ocultos para facilitar a obtenção de mercados militares no país.Parte da atividade associada às diferentes contas "estava ligada a uma entidade comercial israelita, o Grupo Archimedes", afirmou Nathaniel Gleicher.

O grupo, que se apresenta como uma sociedade de "aconselhamento" e "lobbying", foi banido da rede social.

Gleicher explicou que este "falsificou a sua identidade e infringiu outras regras repetidamente", razão para a sua expulsão.

Estes resultados foram obtidos através de uma investiação interna

O Facebook clarificou que conseguiu chegar a estas páginas através de "investigações internas".

"Trabalhamos constantemente para detetar e deter este tipo de atividade, porque não queremos que os nossos serviços sejam utilizados para manipular a opinião pública", declarou Gleicher, clarificando que as contas foram eliminadas "pela base da sua atividade" e não pela "fundamentação do conteúdo publicado".

Já no fim de março, a rede social tinha anunciado o encerramento de milhares de páginas "enganadoras" ligadas à Rússia e ao Irão.

No princípio de maio, foram também suprimidas pelo Facebook mais de uma centena de páginas, grupos e contas na Rússia.

Lusa.

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