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Cientistas descobrem chimpanzés que partem carapaças de tartarugas para as comer

Finbarr O'Reilly

Esta observação dá fôlego à teoria de que os chimpanzés, primos distantes dos seres humanos, desenvolvem culturas autónomas.

Cientistas alemães descobriram no Gabão um grupo de chimpanzés que partem as carapaças de tartarugas contra árvores para comerem a carne, um comportamento que indicia traços culturais próprios.

Um dos autores do estudo publicado hoje na revista Scientific Reports, Tobias Deschner, afirmou que os chimpanzés e as tartarugas coexistem em outras zonas e os primatas comem tartarugas jovens, de carapaça mais mole, mas é a primeira vez que são vistos a partir cascas dos répteis.

Uma das hipóteses que pode ter levado a este comportamento é o facto de no parque nacional gabonês de Loango existirem frutas de casca dura que os chimpanzés já estão habituados a partir.

Alguns chimpanzés mais empreendedores poderão ter experimentado fazer o mesmo com as tartarugas porque veem "um objeto com um exterior duro, que contem qualquer coisa interessante, e precisam de o rachar para o abrir", indicou Tobias Deschner, primatologista no instituto max Planck, em Leipzig.

No entanto, alguns cientistas contestam a ideia de que os chimpanzés são capazes deste raciocínio, muito menos de o ensinar a outros de modo a tornar-se uma "prática cultural" da população a que pertencem. Deschner contrapõe que os chimpanzés "usam todos o mesmo método", o que lhe sugere que "eles olham uns para os outros e copiam os movimentos".

Os autores do estudo também repararam que os chimpanzés mais fracos apanham tartarugas que passam a adultos mais fortes, capazes de as rachar, e partilham a carne com todo o grupo.

Num caso observado, um chimpanzé macho comeu metade de uma tartaruga, guardou o resto da carapaça dentro de uma árvore e regressou no dia seguinte para acabar a refeição, o que sugere que foi capaz de fazer planos.

Tobias Deschner nota que estas práticas poderão perder-se se determinados grupos de chimpanzés forem exterminados, mesmo que a área seja reabitada.

"Vemos chimpanzés a desaparecer por toda a África devido à destruição de habitats e caça furtiva", afirmou, salientando que "o que desaparece não são só as populações, mas uma cultura única, que se perde".

Lusa

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