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Burnout entra na categoria de doenças da OMS

Stefan Wermuth / Reuters

Um em cada três trabalhadores portugueses em risco de burnout.

O burnout, conceito geralmente traduzido como "esgotamento profissional", entrou na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Esta lista, elaborada pela OMS com base nas conclusões de peritos em saúde pelo mundo inteiro, serve de base para estabelecer tendências e estatísticas sanitárias a nível global. Foi agora atualizada na Assembleia mundial da organização que reúne os Estados-membros em Genebra de 20 de maio a 28 de maio.

"É a primeira vez" que o burnout é reconhecido como doença, anunciou aos jornalistas o porta-voz da OMS Tarik Jasarevic.

Um em cada três trabalhadores portugueses em risco de burnout

Segundo um estudo da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco), em setembro de 2018 e publicado na edição de outubro da revista Teste Saúde, um terço dos trabalhadores que participaram no estudo estão em risco de esgotamento profissional e cerca de metade queixa-se da falta de apoio dos supervisores em situações de maior stress.

Os profissionais em maior risco de desenvolver crises de burnout (esgotamento) são os empregados de lojas e supermercados (43%), profissionais de saúde (não médicos, 39%) e quem trabalha em serviços administrativos (37%) ou em profissões ligadas ao ensino (28%).

No estudo da Deco, que envolveu 1.146 trabalhadores entre janeiro e fevereiro de 2018, cerca de metade dos inquiridos queixaram-se da falta de apoio por parte dos supervisores em situações de stress e um em cada quatro por parte dos colegas.

Três em cada dez trabalhadores afirmaram-se emocionalmente cansados do trabalho mais de uma vez por semana e 35% revelaram sentir-se exaustos com a mesma frequência.

"Em 11% dos casos, o cansaço surge todos os dias, logo de manhã, perante a perspetiva de mais uma jornada de trabalho".

Diário é também o stress laboral para 14 %. Contudo, a maioria dos inquiridos considera que desempenha bem as suas funções profissionais", refere o estudo.

"Quando a pressão se torna excessiva, difícil de gerir e se prolonga no tempo, pode transformar-se em stress crónico e afetar a vida pessoal e familiar, a saúde e, claro, o desempenho profissional", recorda a Deco, sublinhando que "22% dos inquiridos que tomaram medicamentos para combater o stress indicaram um período mínimo de tratamento de três anos".

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