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Confrontos em Idlib, Síria, fizeram 270 mil deslocados este mês

Khalil Ashawi

Segundo a ONU, a violência naquela área continua, com ataques aéreos e tiroteios, que provocaram a morte de pelo menos 160 civis.

Cerca de 270 mil pessoas foram obrigadas a deslocar-se este mês na sequência dos combates na província síria de Idlib, o último grande bastião 'jihadista' no noroeste do país, anunciou esta terça-feira a Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo a ONU, a violência naquela área continua, com ataques aéreos e tiroteios, que provocaram a morte de pelo menos 160 civis.

As Nações Unidas denunciaram novamente que tanto as forças do Governo como os grupos armados, que lutam no norte da Síria, parecem ter violado as normas humanitárias internacionais ao atacar alvos civis.

Desde 28 de abril, ocorreram mais de 20 ataques contra unidades de saúde e cerca de 25 escolas também foram afetadas.

Estes números foram referidos perante o Conselho de Segurança pela "número dois" dos assuntos humanitários da ONU, Ursula Mueller, que detalhou os esforços que as organizações humanitárias estão a realizar para ajudar a população.

Até agora, em maio, mais de 170.000 mantimentos foram entregues a pessoas que fugiram da violência, foi fornecido abrigo a cerca de 25.000 pessoas e estão a ser planeadas ações para apoiar outras 60.000 pessoas nos próximos dias.

Tudo isto acrescenta à assistência regular que 1,2 milhões de cidadãos recebem nessa área da Síria todos os meses.

Ursula Mueller alertou que os combates já estão a ter um grande impacto e forçaram a suspender programas nutricionais e médicos que beneficiaram centenas de milhares de pessoas.

A "número dois" dos assuntos humanitários da ONU pediu que as potências representadas no Conselho de Segurança atuem para proteger a população civil de Idlib e de outros lugares na Síria, salientando que milhões de crianças, mulheres e homens não podem continuar à espera que a guerra termine.

"Precisam da vossa proteção e da vossa ação agora", acrescentou.

O regime do Presidente Bashar al-Assad e o seu aliado russo intensificaram desde o final de abril os bombardeamentos contra a província de Idlib e os territórios rebeldes adjacentes, como o norte da província de Hama, controlados pelo Hayat Tahrir al-Sham (HTS, antigo ramo sírio da Al-Qaida) e por outros grupos extremistas.

A província de Idlib foi alvo de um acordo em setembro de 2018 entre Moscovo e Ancara, que apoia alguns grupos rebeldes, sobre uma "zona desmilitarizada" em Idlib, que devia separar os territórios dos insurgentes das zonas governamentais e garantir uma paragem das hostilidades na região.

A Síria tem sido devastada por uma guerra que começou em meados de 2011 e já causou mais de 370.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados.

Lusa