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Cerca de 100 detenções em Moscovo em marcha de apoio a jornalista

Grigory Dukor

Protesto aconteceu horas antes do jornalista ser libertado.

Quase 100 manifestantes, incluindo o opositor do Kremlin Alexei Navalny, foram hoje detidos durante uma marcha em Moscovo de apoio ao jornalista Ivan Golunov, acusado de tráfico de droga antes de ser ilibado e libertado na terça-feira.


"Alexei Navalny acaba de ser detido", indicou no Twitter Kira Iarmych, porta-voz do opositor, alvo de numerosos processos judiciais e detenções nos últimos anos, citada pela agência noticiosa AFP.

A organização OVD-Info, especializada no acompanhamento de detenções, referiu-se a pelo menos 94 manifestantes durante esta marcha destinada a denunciar a atuação da polícia neste caso, que provocou uma mobilização quase sem precedentes da sociedade civil.


Cerca de mil pessoas concentraram-se no centro de Moscovo e uma centena em São Petersburgo, a segunda cidade do país, adiantou a AFP.


"Aquilo que se passou com Ivan Golunov acontece todos os dias neste país. Existem toneladas de [Notes:falsas] histórias de droga como esta. Tivemos a sorte de que tenha sido libertado, mas é apenas uma pequena vitória. A guerra não está ganha", declarou à AFP Egor, um manifestante de 15 anos com uma t-shirt com a frase "Eu sou Ivan Golunov".


Detido na quinta-feira em Moscovo por polícias que afirmam ter descoberto na sua mochila importantes quantidades de droga durante uma rusga ao seu apartamento, Ivan Golunov foi colocado em prisão domiciliária no sábado antes de ser ilibado e libertado na terça-feira, um recuo muito raro das autoridades.


O repórter de 36 anos, que trabalha para o 'site' digital independente Medusa, disse que vai aguardar para perceber o que se passou, e assegurou que vai prosseguir as investigações sobre a corrupção das elites e as irregularidades das estruturas mafiosas.


As autoridades desencadearam um inquérito sobre o comportamento dos polícias que detiveram Golunov, já suspensos das suas funções enquanto decorrem as investigações, e admite-se o afastamento de dois altos responsáveis da polícia moscovita.


Este desfecho não tem praticamente precedentes na Rússia, onde os serviços de segurança e a polícia são frequentemente acusados de simular casos de droga para silenciarem as vozes críticas ou preencherem as suas quotas mensais de detenções.

Lusa