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Presidente do Irão admite mudanças se EUA terminarem sanções

ABEDIN TAHERKENAREH

O Presidente iraniano, contudo, não exclui o cenário de um agravamento das tensões.

O Presidente do Irão, Hassan Rouhani, admitiu esta quarta-feira mudanças, se os EUA desistirem das sanções contra o seu país, durante uma visita do primeiro-ministro japonês, que pediu "mais paciência" nas relações entre Washington e Teerão.

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, iniciou esta quarta-feira uma visita de dois dias ao Irão, numa altura em que Teerão e Washington assistem a uma escalada de tensão política e militar, tornando o tema um dos pontos centrais das conversas que tem desenvolvido com Hassan Rohani.

A visita de Abe é a primeira de um chefe de Governo japonês desde a revolução islâmica de 1979 e a primeira de um líder de um país do G7, desde que o Presidente norte-americano, Donald Trump, se retirou do acordo nuclear.

O Japão é um importante aliado dos EUA e tem um histórico de relações comerciais com o Irão muito profundo, o que torna este país um potencial mediador do conflito entre aqueles dois países.

Durante uma conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro japonês, o Presidente do Irão disse que as tensões no Médio Oriente "têm origem na guerra económica dos Estados Unidos contra o Irão", referindo-se às sanções que os norte-americanos têm imposto, nomeadamente no setor energético, que constitui a principal fonte de receitas iraniana.

Por isso, explicou Rouhani, quando as sanções económicas terminarem assistir-se-á a "uma mudança muito positiva na região e no mundo", admitindo uma alteração de atitude do seu próprio Governo, perante esse cenário.

O Presidente iraniano, contudo, não exclui o cenário de um agravamento das tensões, dizendo-se preparado para essa eventualidade.

"Não iniciaremos nenhuma guerra na região ou contra os EUA, mas se lançarem uma guerra contra nós, daremos uma resposta esmagadora", disse Hassan Rouhani.

Sobre o acordo nuclear, de 2015, de que os EUA se retiraram, o Presidente do Irão explicou que a suspensão de alguns compromissos por parte do seu Governo está enquadrada nos princípios do acordo, acrescentando que os iranianos fazem questão de manter o pacto.

A visita de Shinzo Abe a Teerão ganha especial relevância, quer nas conversas que está a ter com Hassan Rouhani, quer na reunião que terá quinta-feira com o Ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo do Irão, que presidiu à República Islâmica entre 1981 e 1989.

Antes de partir para o Irão, perante os jornalistas, Shinzo Abe reconheceu a sua preocupação com as tensões no Médio Oriente e disse pretender ser "um protagonista para a paz e para a estabilidade na região".

"Para desanuviar o ambiente, quero ter uma troca franca de posições", afirmou o primeiro-ministro japonês.

Nos últimos dias, Abe tem mantido conversações sobre a situação no Médio Oriente com vários líderes locais, aliados dos EUA, incluindo Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro da coroa da Arábia Saudita, e Mohammed bin Zayed al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi, a capital dos Emiratos Árabes Unidos.

Lusa

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