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Senado norte-americano desafia Trump e bloqueia acordo de venda de armas à Arábia Saudita

JIM LO SCALZO

Senadores republicanos juntaram-se aos democratas na votação de três resoluções que se opõem à venda.

O Senado norte-americano bloqueou esta quinta-feira um acordo de venda de armas à Arábia Saudita e a outros países árabes autorizado por Donald Trump, num sinal de desafio à política presidencial de alinhamento regional com Riade.

Vários senadores republicanos juntaram-se aos democratas na votação de três resoluções que se opõem à venda, num total de 8,1 mil milhões de dólares (7,17 mil milhões de euros), autorizada no final de maio pela Administração Trump, que invocou a situação de urgência provocada pelo Irão para contornar a aprovação do Congresso.

As três resoluções deverão agora ser confirmadas pela Câmara dos Representantes, controlada pelos democratas, e o Presidente norte-americano deverá, em seguida, apor o seu veto à tentativa de travão hoje votada pelos senadores.

Os contratos dizem respeito à venda de armas, munições, e manutenção de aeronaves à Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.

Os opositores sublinharam a responsabilidade de Riade no conflito no Iémen, que fez já dezenas de milhares de mortos, entre os quais um elevado número de civis, de acordo com diversas organizações humanitárias.

"Quando eles visam os civis, como é que nós podemos continuar a vender estas armas?", interrogou o senador democrata Robert Menendez, citado pela agência France Presse, antes da votação.

Alguns senadores manifestaram ainda a sua indignação em relação ao assassinato em outubro de 2018 do jornalista saudita Jamal Khashoggi, crítico do regime, no consulado saudita em Istambul.

Muitos senadores consideram o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salmane, o mandante da ordem de assassinato. De acordo com um inquérito da ONU, o jornalista foi morto e em seguida desmembrado.

"Não é a quantidade de petróleo que possam produzir que vos dará, pela minha parte e pela parte dos outros (senadores), a autorização para decepar qualquer um num consulado", afirmou o republicano Lindsey Graham, numa declaração dirigida a Riade.

Para o republicano James Risch, em contrapartida, estas "armas de precisão" deverão permitir, pelo contrário, "reduzir o número de perdas civis" e o bloqueio das vendas apenas reforçará a posição do Irão em pleno período de tensão com Washington.

A Arábia Saudita encabeça desde 2015 uma coligação militar pró-governamental no Iémen contra os rebeldes Houthis, apoiados por Teerão.
O Reino Unido também anunciou hoje a suspensão de venda de armas à Arábia Saudita que possam ser utilizadas no Iémen. A Alemanha tomou a mesma decisão, invocando a morte de Jamal Khashoggi.

Lusa

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