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Signatários de acordo nuclear com Irão vão reunir-se na próxima semana

Leonhard Foeger

Encontro, que será presidido pela União Europeia, é realizado numa altura de tensão.

Os países signatários do acordo nuclear iraniano vão reunir-se na próxima semana em Viena para garantir a continuação do plano assinado há quatro anos.

Num comunicado divulgado esta quinta-feira pelo Serviço Europeu de Ação Externa (SEAE) da UE, lê-se que "será realizada em Viena, a 28 de junho de 2019, uma reunião da comissão mista do Plano de Ação Conjunta", também conhecido como acordo nuclear iraniano.

O encontro será presidido pela Alta Representante da UE para a Política Externa, Federica Mogherini, e pela secretária-geral do SEAE, Helga Schmid, contando com a participação da China, França, Alemanha, Rússia, Reino Unido e do Irão, países signatários do documento. Além destes, os Estados Unidos também assinaram, em 2015, em Viena, o Plano de Ação Conjunta, mas retiraram-se do acordo há um ano.

A reunião da próxima semana foi, assim, "convocada com a intenção de garantir a continuação da implementação do Plano de Ação Conjunta em todos os seus aspetos e para discutir formas de enfrentar os desafios decorrentes da retirada e da nova aplicação de sanções pelos Estados Unidos sobre o Irão", explica a nota.

Em cima da mesa estarão ainda os "recentes anúncios do Irão referentes aos seus compromissos nucleares", adianta o comunicado do SEAE.

O diferendo entre os Estados Unidos e o Irão é longo e a crispação está num crescendo desde que o Presidente norte-americano retirou, há um ano, o país do acordo nuclear internacional de 2015, assinado entre os 5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança - Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China - mais a Alemanha) e o Irão, restaurando sanções devastadoras para a economia iraniana.

A República Islâmica comprometeu-se, nesse acordo, a aceitar limitações e maior vigilância internacional do seu programa nuclear, que sempre garantiu ser apenas civil, em troca do levantamento das sanções internacionais.

Os europeus, a China e a Rússia mantêm o seu compromisso em relação ao acordo, mas até agora não têm sido capazes de permitir que o Irão beneficie das vantagens económicas com que contava devido às sanções dos Estados Unidos.

Entretanto, esta semana, o Irão anunciou que iria ultrapassar, no final deste mês, o limite de armazenagem de urânio fixado pelo acordo, depois de alegados ataques ocorridos no Estreito de Ormuz.

O objetivo de Teerão é pressionar os parceiros que se mantêm no acordo para o ajudarem a atenuar os efeitos das sanções norte-americanas.

O acordo de Viena determina que o Irão deve exportar os excedentes de urânio e água pesada quando estes ultrapassam os 300 quilogramas e as 130 toneladas, respetivamente, para impedir o desenvolvimento da bomba atómica.

Entretanto, esta quinta-feira, os Guardas da Revolução do Irão anunciaram terem abatido um avião não tripulado ('drone') norte-americano, em violação do espaço aéreo no sul do país, numa nova escalada de tensão entre Washington e Teerão.

Lusa

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