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Primeira vítima do caso "bebés roubados" em Espanha encontra família biológica

Inés Madrigal descobriu que a mãe morreu em 2013.

A primeira vítima reconhecida pela justiça do caso dos "bebés roubados" em Espanha revelou hoje que, ao fim de 32 anos, encontrou a sua família biológica graças a um banco de ADN norte-americano.

"Pela primeira vez tenho o quebra-cabeças de toda a minha vida", disse em conferência de imprensa Inés Madrigal, que já está em contacto com um primo em segundo grau, residente na Alemanha, que a informou de que os seus quatro irmãos biológicos também estavam à sua procura.

A funcionária dos caminhos-de-ferro acrescentou que o facto de ter encontrado recentemente a sua "verdadeira família" é "um triunfo", apesar de ter também ficado a saber que a sua mãe biológica morreu em 2013 aos 73 anos.

Inés Madrigal já deu estas informações ao Ministério Público e ao Tribunal Supremo, que está a analisar o recurso que interpôs contra a sentença que absolveu, em outubro de 2018, o principal culpado pelo seu "roubo" em 1969, o médico Eduardo Vela.

O ex-obstetra, de 85 anos, foi na altura o único acusado no primeiro julgamento do caso dos "bebés roubados" durante o franquismo.

A sentença considerou que Eduardo Vela foi responsável de todos os delitos - detenção ilegal, suspeita de parto cometida por médico e falsificação de documento oficial -- mas absolveu-o de todos eles por concluir que o prazo legal prescreveu em 1987, quando a queixosa chegou à idade adulta.

No entanto, a decisão pode não ser a final, visto que Inés Madrigal apresentou um recurso junto do Tribunal Supremo.

O ex-obstetra, que durante 20 anos dirigiu a Clínica San Ramon, em Madrid, é considerado um dos principais responsáveis do caso de tráfico de recém-nascidos que envolveu milhares de bebés desde a ditadura de Franco (1939-1975).

Muitas vezes com a cumplicidade da Igreja Católica, as crianças eram retiradas aos seus pais após o parto, declaradas mortas sem provas e adotadas por casais estéreis, preferencialmente próximos do regime "nacional-católico".

No julgamento, Eduardo Vela foi acusado por Inês Madrigal de a ter separado da sua mãe biológica, Inès Perez, e de falsificar a sua certidão de nascimento, em junho de 1969.

Desde que o escândalo foi denunciado pela primeira vez na imprensa, em 1982, Eduardo Vela, há muito denunciado por associações de vítimas, foi o primeiro a sentar-se no banco dos réus, graças ao testemunho da mãe adotiva de Inès Madrigal, que, entretanto, morreu.

A mulher, que não podia ter filhos, disse que o médico lhe ofereceu um bebé antes de lhe pedir para simular uma gravidez e declarar-se como mãe biológica do recém-nascido.

Durante o julgamento, Eduardo Vela admitiu ter assinado "sem olhar" o dossier médico que relatava que tinha assistido ao parto, mas retratou-se na primeira audiência, alegando não reconhecer a sua assinatura.

Apesar da amplitude do escândalo, nenhuma das mais de 2.000 reclamações apresentadas por associações resultou, muitas vezes por causa da prescrição dos factos.

A prática de "roubar bebés" nasceu durante a repressão que se seguiu à guerra civil (1936-1939).

As crianças foram retiradas das suas famílias, geralmente opositores acusados de transmitir o "gene" do marxismo.

A partir da década de 1950, as crianças nascidas fora do casamento, ou em famílias pobres ou muito grandes, foram alvos preferenciais deste esquema.

O tráfico continuou, pelo menos até 1987, já depois da transição democrática espanhola iniciada em 1977, funcionando como uma forma de ganhar dinheiro.

Lusa

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    O antigo ginecologista espanhol de 85 anos, Eduardo Vela, foi hoje considerado culpado por um tribunal de Madrid por detenção ilegal, falsificação de documento, certificação de falsos nascimentos e por entregar o bebé ilegalmente a uma família em 1969. É a primeira pessoa a ser julgada no caso dos "bebés roubados" durante a ditadura do general Franco, que afetou milhares de pessoas.

  • Doente deitada no chão do hospital?
    2:20