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Para onde vão os 520 milhões de euros de Jeffrey Epstein?

Norte-americano terá criado, há mais de uma década, uma rede para abusar de dezenas de meninas.

O milionário norte-americano Jeffrey Epstein assinou um testamento dois dias antes de se suicidar na prisão, em Nova Iorque, onde aguardava julgamento pelo crime de tráfico de pessoas para fins sexuais.

Documentos judiciais mostram que o empresário tinha mais de 577 milhões de dólares (cerca de 520 milhões de euros) e o testamento dirigia esse dinheiro para um fundo, não listando detalhes ou beneficiários.

Segundo a BBC, Epstein pôs todo o dinheiro naquele a que chamou de "O Fundo de 1953", tendo sido o documento assinado a 8 de agosto, dois dias antes de se enforcar na prisão.

O documento inclui os bens do milionário, como 56 milhões de dólares (50 milhões de euros) em dinheiro, mais de 14 milhões (12 milhões de euros) em rendimentos de investimentos e 18 milhões (16 milhões de euros) em aviões, carros e barcos.

A coleção de arte de Epstein ainda não foi avaliada, segundo o documento, e algumas das alegadas vítimas do milionário disseram que iam atrás dos seus bens.

AP Images

Encontrado morto na cela

O empresário norte-americano suicidou-se numa cela da prisão de Nova Iorque, onde estava em prisão preventiva. Os resultados da autópsia confirmaram que se suicidou por enforcamento.

Fontes anónimas citadas pelo jornal norte-americano New York Times indicaram que o multimilionário terá aparentemente usado os seus lençóis para acabar com a própria vida.

Foram levantadas suspeitas de assassinato, já que a prisão federal de Manhattan é considerada uma das mais seguras dos Estados Unidos, e foram avançadas várias teorias da conspiração.

Algumas delas insinuam que terá sido morto para não falar sobre as numerosas personalidades que terão usado aquela rede de abusos sexuais de menores, alegadamente desde o príncipe André a Bill Clinton.

O príncipe André, de 59 anos, apareceu em imagens na mansão do milionário Jeffrey Epstein, em 2010, dois anos após a primeira condenação do norte-americano. O vídeo divulgado pelo jornal britânico "The Mail on Sunday" mostra o filho da Rainha Isabel II a despedir-se de uma jovem mulher, à porta da mansão.

O príncipe André, de 59 anos, apareceu em imagens na mansão do milionário Jeffrey Epstein, em 2010, dois anos após a primeira condenação do norte-americano. O vídeo divulgado pelo jornal britânico "The Mail on Sunday" mostra o filho da Rainha Isabel II a despedir-se de uma jovem mulher, à porta da mansão.

Mail on Sunday

Rede de tráfico

A 31 de julho, foi noticiado que o julgamento de Jeffrey Epstein deveria iniciar-se entre junho e setembro de 2020. No mesmo dia, Epstein compareceu perante o juiz pela primeira vez desde que tinha sido encontrado semi-inconsciente na cela da prisão de Nova Iorque, com ferimentos no pescoço.

O canal CNBC informou na altura que antes do incidente ocorrido da sua cela, com a suspeita de tentativa de suicídio, Epstein tinha recebido documentos legais nos quais uma adolescente de 15 anos denunciava ter sido violada pelo magnata na sua mansão.

De acordo com a procuradoria do distrito sul de Manhattan, Epstein criou, há mais de uma década, uma rede para abusar de dezenas de meninas na sua mansão de Nova Iorque, e numa outra situada na Florida.

Epstein tinha uma ilha nas Ilhas Virgens Americanas, apelidada de "ilha dos pedófilos" ou "ilha das orgias".

Este era um dos locais onde o empresário norte-americano, amigo de Donald Trump e Bill Clinton, terá abusado e explorado sexualmente de menores, entre 2002 e 2005.