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Turquia e Líbano negam ser destino de petroleiro libertado por Gibraltar

Jon Nazca

Autoridades suspeitam que o petroleiro iraniano está a transportar petróleo para a Síria, à revelia do embargo norte-americano.

Um petroleiro iraniano suspeito de transportar petróleo para a Síria, à revelia do embargo norte-americano, está a viajar para um porto do Líbano, de acordo com as autoridades turcas, mas o Governo libanês diz desconhecer o caso.


O petroleiro iraniano Adrian Darya 1, que foi recentemente libertado por Gibraltar, estará a caminho do Líbano, transportando petróleo iraniano com destino final na Síria, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, que negou ser a Turquia o destino da viagem que viola o embargo decretado pelos EUA.


"O petroleiro não está realmente a caminho de Iskenderun (um porto no sul da Turquia), este petroleiro está a caminho do Líbano", afirmou Cavusoglu, sem no entanto dizer se o Líbano era o destino final.


Contudo, a ministra da Energia do Líbano, Nada Boustani, disse desconhecer a situação do Adrian Darya 1 e reiterou que o Líbano não compra crude de nenhum país, porque nem sequer tem uma refinaria de petróleo bruto.


"Não há nenhum pedido para o Adrian Darya 1 entrar no Líbano, disse hoje a ministra, rejeitando declarações do chefe da diplomacia turca, que horas antes havia negado que o destino do petroleiro fosse o porto de Iskenderun e apontando os portos libaneses como objetivo de viagem.


Segundo Washington, o petróleo transportado pelo Adrian Darya 1 está a servir para financiar as forças armadas do Irão, à revelia de sanções impostas pelos Estados Unidos contra Teerão, por este manter o seu programa nuclear.


O Adrian Darya 1 - que foi nomeado Grace 1 durante a sua apreensão no território britânico de Gibraltar - foi detido por ser suspeito de transportar petróleo iraniano para a Síria, em violando as sanções europeias contra esse país.


Em 15 de agosto, o Supremo Tribunal de Justiça de Gibraltar autorizou o petroleiro a sair novamente, após Teerão ter garantido que a carga não seria entregue na Síria.


Na segunda-feira, o Irão disse que tinha vendido o crude armazenado no navio sem especificar quem era o comprador ou se a carga havia sido comprada antes ou depois da apreensão do navio-tanque, em 4 de julho.


As autoridades de Gibraltar recusaram manter o navio apreendido, rejeitando o pedido feito pelo Governo norte-americano, o que lhe permite continuar a navegar as suas cargas na zona do Golfo.


Em 19 de agosto, o chefe da diplomacia norte-americana, Mike Pompeo, disse esperar que o petroleiro voltasse a ser apreendido, para evitar que continue a alimentar a "campanha de terror" liderada pelo Irão.


Teerão respondeu que não permitirá nova apreensão do petroleiro, mas recusa divulgar o destino do petróleo que transporta, acusando os EUA de tentarem "intimidar" potenciais compradores.

Lusa