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61% dos palestinianos querem demissão de Mahmud Abbas e 80% está descontente com Autoridade

Ibraheem Abu Mustafa

No dia em que Israel volta às urnas é divulgada uma sondagem que demonstra descontentamento generalizado nos territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza

Stoyan Nenov

À volta de 61% dos palestinianos quer que o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, renuncie ao cargo e cerca de 80% está descontente com a gestão daquele órgão governamental, indica uma sondagem recente.

"A maioria dos palestinianos desconfia da liderança e das instituições palestinianas. Existe a perceção de que poderiam fazer muito mais do que fazem", disse à agência noticiosa espanhola EFE Khalil Shikaki, diretor do Centro Palestiniano de Investigação Política (PSR), organismo que realizou o estudo em conjunto com a Fundação Conrad-Adenauer-Stiftung (KAS).

A sondagem, realizada entre 11 e 14 de setembro, inquiriu 1.200 palestinianos dos territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza e conta com uma margem de erro de três pontos percentuais.
Shikaki indicou que a falta de confiança já era visível em anteriores inquéritos de opinião e que tem vindo a aumentar.

De acordo com a sondagem, se fossem realizadas presidenciais nos territórios palestinianos, Abbas obteria 48% dos votos e o líder do movimento radical Hamas, Ismail Haniyeh, ficaria ligeiramente atrás com 46%.

Questionados sobre a ferramenta mais eficaz para acabar com a ocupação israelita, 44% dos inquiridos considerou ser a luta armada, enquanto 24% optou pelas negociações e 22% pela "resistência popular".

Tendo em conta a inexistência de negociações de paz, 62% disse apoiar a resistência não violenta, mas 50% declarou-se a favor de uma nova Intifada (revolta), 40% sugeriu a dissolução da Autoridade Palestiniana e 32% defendeu o estabelecimento de um único Estado para israelitas e palestinianos.

A maioria dos inquiridos rejeita à partida o designado "acordo do século" da administração norte-americana de Donald Trump para resolver o conflito israelo-palestiniano, que ainda não foi apresentado, enquanto 70% apoia a decisão das autoridades de romper o diálogo com os Estados Unidos após as tomadas de posição de Washington a favor de Israel.