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Curdos afirmam ter 12.000 membros do Daesh na Síria

Rodi Said

As Forças Democráticas da Síria referem que a "ameaça contínua da invasão turca" as "distrai" das "operações do Daesh e de vigiar as prisões".

As Forças Democráticas da Síria (FDS), aliança que derrotou territorialmente o grupo extremista Daesh, anunciaram ter 12.000 membros do Daesh que não podem manter para sempre e alertaram que uma eventual invasão turca seria um "desastre".

"Existe um exército de combatentes do Daesh sob custódia das FDS no nordeste da Síria. Doze mil combatentes perigosos do Daesh de todo o mundo", indicaram as FDS na sua conta da rede social Twitter, numa das primeiras vezes em que contabilizaram o número de combatentes capturados do grupo que derrotaram em março passado.

Em 23 de março, as tropas das FDS tomaram a cidade de Al Baguz, o último bastião do Daesh na Síria, consumando o fim de uma guerra em que foram tomando localidade a localidade ao grupo liderado por Abu Bakr al Baghdadi até terminar territorialmente o autoproclamado "califado".

Numa série de mensagens, o grupo garantiu que não pode manter os 'jihadistas' do Daesh "para sempre" e alertou que o EI aguarda a oportunidade para libertar os seus combatentes e recuperar o chamado "califado" entre o Iraque e a Síria.

"O líder do Daesh, Baghdadi, deixou o seu plano claro. O mundo deve ver como isto acontece", referiu em alusão a uma recente mensagem do líder do EI em que apela aos seus seguidores para libertarem os membros do grupo que estão capturados e continuarem a luta.

As FDS sublinharam ainda que a "ameaça contínua da invasão turca" as "distrai" das "operações do Daesh e de vigiar as prisões".

"Se a Turquia invadir, não teremos escolha a não ser dedicarmo-nos a 100% à proteção dos nossos lares e familiares na fronteira da Síria e da Turquia", asseguraram.

"Será um desastre para o mundo e não queremos que isso aconteça", acrescentam as FDS.

A Turquia e os Estados Unidos chegaram a um acordo sobre a criação de uma zona de segurança no norte da Síria, de onde saiam as milícias curdas, especialmente o YPG, o principal órgão das FDS e que Ancara considera "terrorista".

As milícias, apoiadas pelos Estados Unidos, aceitaram a retirada dos seus enclaves, embora não haja acordo sobre a largura dessa zona de segurança e a Turquia exija que seja mais ampla do que os curdos estão dispostos a aceitar, ameaçando invadir, se necessário.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, defendeu na terça-feira na Assembleia Geral das Nações Unidas a sua proposta de que essa "área tenha 30 quilómetros de largura e 480 quilómetros de comprimento e abrigue dois milhões de refugiados", uma pretensão à qual os curdos-sírios se opõem.

Na lista de mensagens no Twitter, as FSD também reiteram a sua chamada para os países de origem dos terroristas.

"Não há tribunal para combatentes estrangeiros nem uma maneira de processá-los. Muitos combatentes não são da Síria. Os países têm de levar os seus cidadãos para casa para enfrentar a justiça", salientaram.

Lusa