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Príncipe Harry em Angola: "Sem minas há paz e com a paz vêm as oportunidades"

ANTONIO COTRIM

Príncipe britânico visitou hoje em Angola o mesmo campo de minas que a sua mãe, Diana, em 1997

DOMINIC LIPINSKI / ANTONIO COTRIM

O príncipe britânico Harry visitou hoje em Angola o mesmo campo de minas que a sua mãe, Diana, em 1997, considerando que "ao retirar as minas terrestres" se pode ajudara comunidade "a encontrar paz, e com a paz vêm as oportunidades".

"As minas terrestres são uma cicatriz da guerra ainda por sarar", disse Harry na cidade de Dirico, na província angolana de Cuando Cubango, a cerca de 2.000 quilómetros da capital, Luanda.

Com um colete à prova de balas, o britânico seguiu os passos da sua mãe, percorrendo um campo marcado com o símbolo da caveira e de ossos cruzados, parando no mesmo sítio onde a sua mãe tirou a icónica fotografia que se transformou num símbolo contra as minas terrestres.

O representante da família real britânica chegou a Angola ao final do dia de quinta-feira, depois de ter estado na Cidade do Cabo, na África do Sul e no Botsuana, e hoje viajou para o Huambo, no planalto central de Angola.

A visita da Princesa Diana de Gales, em 1997, é um dos temas de discussão hoje em Huambo, estando ainda na memória a simpatia e a vontade de melhorar a vida das pessoas, depois de 27 anos de guerra, considerou o diretor da organização não-governamental britânica Halo Trust, que se dedica a combater os efeitos e a propagação das minas terrestres.

"O principal impacto do passeio de Diana em 1997 foi o nível de exposição pública mundial que deu a este tema, não apenas em Angola, mas também no mundo", disse Ralph Legg.

A proibição internacional sobre as minas antipessoais foi assinada nesse ano e entrou em vigor dois anos depois.

"Mais de 48 milhões de minas foram retiradas e 31 países libertaram-se completamente das minas terrestres", concluiu o responsável, em declarações citadas pela AP.

No sábado, o príncipe Harry será recebido pelo Presidente angolano, João Lourenço, no palácio da Cidade Alta, e depois deverá visitar a maternidade do Hospital Lucrécia Paim para conhecer a campanha "Nascer Livre para Brilhar", que visa reduzir a transmissão do HIV/Sida de mãe para filhos.

A visita do Príncipe Harry a Angola acontece ao quarto dia do itinerário de dez dias, que começou na segunda-feira na Cidade do Cabo, África do Sul, onde chegou acompanhado pela mulher, Meghan Markle, e pelo filho, Archie Harrison, e de onde seguiu na quarta-feira para o Botsuana, sozinho.

Depois de visitar Angola, Harry vai estar ainda três dias no Maláui, antes de regressar à África do Sul, onde, em conjunto com Meghan Markle, vai encontrar-se com a antiga primeira dama Graça Machel, concluindo a visita com uma audiência com o Presidente, Cyril Ramaphosa.

Segundo o Palácio de Buckingham, "o amor do Duque de Sussex pela África é bem conhecido; ele visitou o continente pela primeira vez aos 13 anos e, mais de duas décadas depois, as pessoas, cultura e vida selvagem resiliência das comunidades continuam a inspirá-lo e motivá-lo".

O desejo da princesa Diana de banir as minas antipessoais foi cumprido no final de 1997, já depois da sua morte, com a assinatura da Convenção sobre a Proibição do Uso, Armazenamento, Produção e Transferência de Minas Antipessoais, conhecida como Convenção de Ottawa, de que são signatários 157 países, entre os quais Angola.

Estima-se que existam cerca de 60 mil angolanos que ficaram mutilados devido ao rebentamento de minas de guerra, das quais cerca de 40% são mulheres.

Com Lusa

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