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Rússia e Venezuela renovam cooperação bilateral técnico-militar

RAYNER PENA

Nicolas Maduro considera que "relações estratégicas com grandes potências como a Rússia" permitem a Caracas resistir "guerra económica das sanções impostas pelos EUA"

A Venezuela e a Rússia renovaram este sábado os acordos de cooperação bilateral em matéria técnico-militar, anunciou o Presidente venezuelano.

"Temos visto a cooperação técnico-militar em marcha, segundo o cronograma, de maneira perfeita e renovámos todos os contratos de apoio", disse Nicolás Maduro.

Em conferência de imprensa, no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, o chefe de Estado venezuelano confirmou que na reunião da Comissão Intergovernamental de Alto Nível Rússia-Venezuela, que decorreu no sábado e na qual esteve presente o primeiro vice-ministro russo, Yuri Borisov foram também assinados acordos bilaterais nas áreas tecnológica, petrolífera e de gás.

"Podemos dizer que há novos empreendimentos económicos com transferência de tecnologia, e a participação de empresas russas em todas as áreas de produção estratégica do país. Renovámos e avançámos, na área petrolífera, de gás e de empresas básicas", indicou.

Para Maduro, a renovação dos acordos existentes entre Caracas e Moscovo eleva a capacidade venezuelana de resistir às sanções impostas pelos Estados Unidos.

"Vamos a uma elevação da capacidade de gerar riqueza física no país, porque é aí onde estamos a ser asfixiados com a guerra económica. A Venezuela tem direito ao seu futuro, para isso são as relações estratégicas com grandes potências como a Rússia", sublinhou.

Nicolás Maduro explicou ainda que "a Venezuela tem uma verdadeira economia de guerra", mas conta com "assessores mundiais de alto nível, inclusive dos EUA e do Canadá" para a superar.

No sábado, o primeiro vice-ministro russo anunciou, durante aquela reunião, que o comércio entre a Rússia e a Venezuela está a crescer este ano, em relação a 2018. No quarto trimestre de 2019, vai ser reforçado com 135 milhões de euros, acrescentou.

"A tendência deste ano revela um crescimento. As trocas comerciais entre a Venezuela e a Rússia aumentaram 10% em comparação com o ano anterior e vão continuar a aumentar com mais 150 milhões de dólares (135 milhões de euros) para este ano", disse Borisov.

Durante a reunião, o primeiro vice-ministro russo afirmou que "a Venezuela é um país importante para a Rússia, no âmbito latino-americano" e adiantou que Moscovo vai enviar para Caracas medicamentos e produtos de primeira necessidade, ao abrigo dos acordos de cooperação bilateral existentes.

O primeiro vice-ministro russo questionou as sanções "unilaterais, coercivas", que o Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, impõe à Venezuela e reafirmou o compromisso da Rússia em contribuir para melhorar a qualidade de vida dos venezuelanos.

Com Lusa