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Cirurgia às nadegas "inspirada na Kim Kardashian" vai ser proibida?

Lucas Jackson

A cirurgia tem alta taxa de mortalidade.

A Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos Estéticos (BAAPS) vai votar esta sexta-feira no âmbito do procedimento popularmente conhecido como "Brazilian butt lift" - levantamento dos glúteos - porque há dúvidas relativamente à segurança desta cirurgia.

Vários especialistas vão avaliar as evidências mais recentes e, em seguida, irão decidir se devem manter as orientações anteriores emitidas em 2018 - que alertaram fortemente os cirurgiões contra a realização da cirurgia devido à sua alta taxa de mortalidade.

A preocupação com o procedimento, que tem crescido nos últimos cinco anos, surge devido a uma série de casos de doenças graves e mortes.

Sabe-se que duas britânicas morreram após a cirurgia e teme-se que, globalmente, o número de mortes possa estar na casa das centenas, disse à CNN o presidente e cirurgião plástico do BAAPS, Paul Harris.

A cirurgia, que pode custar mais de seis mil libras (cerca de 6.891 euros) na Grã-Bretanha, envolve a remoção de gordura de outra parte do corpo do paciente e a injeção dessa mesma gordura nas nádegas, para aumentar o seu tamanho e para manter a sua forma mais arrredondada.

Mas existe o risco de injetar gordura nas veias, através das quais (essa gordura) pode circular até ao coração ou ao cérebro, causando embolia, doença ou morte, segundo os especialistas plásticos.

Os membros que vão avaliar a possível proibição no Reino Unido colocam as seguintes questões:

"Faria isso com a sua filha?"

"E se não faria isso com a sua filha, então por que faria com um paciente?"

"A maioria de nós não faria isso com nossa filha".

Uma preocupação particular do BAAPS é que os pacientes optem por fazer a cirurgia no estrangeiro, no caso de ser proibida no Reino Unido. Essa preocupação surge devido aos diferentes níveis de regulamentação de segurança dos países. Paul Harris disse que o procedimento era particularmente popular na América Latina, incluindo Brasil e México, e também foi realizado na Turquia.

"Acabei de ter uma paciente que fez esse procedimento no estrangeiro. Ela não morreu, mas (...) perdeu todos os dedos", disse ele. "Ela ficou no hospital por oito meses e fez 23 operações. A paciente é uma a sortuda, porque sobreviveu".

Ao considerar uma proibição, disse Harris, o BAAPS terá de considerar cuidadosamente se isso pode levar mais pessoas a procurar tratamento no exterior, sendo que isso pode pôr em risco a segurança do paciente.