Mundo

Liga Árabe pede à Turquia para parar ofensiva contra os curdos

Khalil Ashawi

Chefe da diplomacia do Líbano pediu à Liga Árabe para aceitar a reintegração da Síria.

A Liga Árabe pediu hoje à Turquia para interromper a ofensiva militar na Síria, ao mesmo tempo que o chefe da diplomacia do Líbano pediu à Liga Árabe para aceitar a reintegração da Síria.


O chefe da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, disse hoje que a operação militar da Turquia no nordeste da Síria está a provocar uma nova vaga de deslocados e coloca em risco os avanços na luta contra o grupo 'jihadista' Estado Islâmico.


Aboul Gheit, que falava numa cimeira de emergência da Liga Árabe, que decorre no Cairo, convocada pelo Egito para discutir a situação no nordeste da Síria, pediu, por isso, a interrupção da ofensiva militar contra as milícias curdas, iniciada na passada quarta-feira.


O Egito considera que a ofensiva turca é uma "gritante agressão" contra a soberania da Síria, rejeitando os argumentos de Ancara de que a operação militar procura apenas fazer recuar as milícias curdas, que a Turquia considera como sendo um grupo terrorista.


Durante os trabalhos da cimeira, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Egito, Sameh Shoukry, disse que tem acompanhado de perto a crise e que reuniu hoje com um representante curdo sírio, a quem transmitiu o seu apoio na "resistência legítima" curda contra a operação turca.


Numa tentativa de encontrar uma solução diplomática para o conflito, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Líbano, Gebran Bassil, aproveitou a cimeira convocada pelo Egito para apelar à Liga Árabe para aceitar a readmissão da Síria nesta organização pan-árabe, que reúne 22 países.


Gebran Bassil disse que falou hoje com representantes da Liga Árabe a quem transmitiu a mensagem de que não se deve permitir mais "qualquer agressão israelita ou turca (...) contra um estado ou povo árabe".


A participação da Síria na Liga Árabe foi suspensa em 2011, depois da repressão militar do Governo sírio contra manifestantes que pediam reformas ao regime.

Lusa