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Trump anuncia "sanções severas" à Turquia e ordena saída imediata de tropas dos EUA

Yuri Gripas

Presidente dos EUA disse que estava em conversas com o Congresso para a aplicação de sanções contra a Turquia.

O Presidente Donald Trump anunciou hoje que os Estados Unidos aplicarão "sanções severas" contra a Turquia, pela ofensiva militar contra as milícias curdas na Síria, e ordenou a saída imediata das tropas norte-americanas na região.

Donald Trump já tinha avisado que tomaria medidas sérias contra a Turquia se este país ultrapassasse limites razoáveis na ofensiva militar contra as milícias curdas no nordeste da Síria e hoje acabou por anunciar "sanções severas" contra o regime do Presidente turco, Recep Erdogan.


Também hoje, o secretário de Defesa norte-americano, Mark Esper, disse que Trump ordenou a saída de todos os cerca de mil soldados que lutavam ao lado das milícias curdas contra o Estado Islâmico, para proteger a sua integridade física, no cenário da ofensiva turca.


Ao mesmo tempo, o Presidente dos EUA disse que estava em conversas com o Congresso para a aplicação de sanções contra a Turquia.


"Estou a negociar com o senador Republicano Lindsey Graham e outros membros do Congresso, incluindo Democratas, para a imposição de sanções severas à Turquia. O (Departamento do) Tesouro está preparado", escreveu hoje Donald Trump na sua conta pessoal da rede social Twitter.

Trump responde assim ao apelo feito por Lindsey Graham que, embora seja um forte apoiante do Presidente, tinha criticado a decisão da retirada de tropas da Síria, abandonando os aliados curdos na Síria à mercê da ofensiva militar turca.


Nos últimos dias, os EUA têm feito apelas ao Presidente turco para que cesse a operação militar e hoje, de acordo com o secretário de Defesa, Donald Trump ordenou a saída imediata e total do contingente militar no norte da Síria.


Interrogado sobre se achava que a Turquia, aliada na NATO, atacaria deliberadamente as tropas norte-americanas na Síria, Mark Esper disse não saber o que responder.


Esper mencionou um incidente ocorrido na sexta-feira em que um pequeno grupo de tropas norte-americanas ficou sob o fogo de artilharia turca, num posto de observação no norte da Turquia, mas disse que pode ter sido apenas um exemplo de "fogo indiscriminado", não destinado deliberadamente a atingir militares dos EUA.


Esper disse que falou sobre a situação na Síria com o Presidente Trump, na noite de sábado, quando crescem os sinais de uma intensificação da ofensiva turca.


"Nas últimas 24 horas, descobrimos que eles (os turcos) provavelmente pretendem expandir seu ataque mais a sul e a oeste do que o originalmente planeado", disse Esper, referindo-se à escalada de dimensão da ofensiva contra as milícias curdas.


De acordo com o secretário de Defesa, os EUA também acreditam que os curdos estão a tentar "fechar um acordo" com o exército sírio e com a Rússia para combater as forças turcas, o que ajudou à decisão de Trump de retirada das forças norte-americanas da região.


No mesmo sentido, Trump usou a sua conta de Twitter para explicar, mais uma vez, por que os EUA não se devem envolver militarmente na região.


"Outros podem querer entrar e lutar por um dos lados contra o outro", escreveu hoje Trump, podendo estar a referir-se à intervenção síria e russa no conflito, como esclareceu Mark Esper.

Com Lusa