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Civis mortos em ataque aéreo turco no nordeste da Síria apesar das tréguas

Stoyan Nenov

"Apesar do acordo para uma suspensão dos combates, os ataques aéreos e de artilharia continuam a visar posições dos combatentes, zonas civis e o hospital de Ras al-Ayn".

Pelo menos cinco civis foram mortos hoje no norte da Síria num ataque da Turquia contra uma localidade perto da cidade fronteiriça de Ras al-Ayn, apesar das tréguas aceites por Ancara, indicou uma ONG.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) disse que o ataque turco foi contra a localidade de Bab al-Kheir e que matou ainda quatro combatentes das forças curdas.

Um porta-voz das forças curdas, Mustafa Bali, considerou uma violação do cessar-fogo os bombardeamentos aéreos e disparos de artilharia que visaram hoje as suas posições.

A operação lançada por Ancara a 9 de outubro juntamente com rebeldes sírios pró-turcos abriu uma nova frente na guerra da Síria com oito anos.

A milícia curda das Unidades de Proteção Popular (YPY), alvo da Turquia que a considera terrorista, acusou Washington de a ter abandonado, depois de ter sido seu aliado na luta contra os 'jihadistas' do grupo Estado Islâmico.

Na quinta-feira, após uma intervenção dos Estados Unidos, a Turquia aceitou suspender durante cinco dias a ofensiva que suscitou críticas internacionais, exigindo uma retirada das forças curdas da fronteira para terminar a operação.

As forças curdas declararam-se prontas a respeitar as tréguas.

"Apesar do acordo para uma suspensão dos combates, os ataques aéreos e de artilharia continuam a visar posições dos combatentes, zonas civis e o hospital de Ras al-Ayn", indicou na rede social Twitter Mustafa Bali.

A ofensiva de Ancara permitiu-lhe conquistar uma faixa fronteiriça de perto de 120 quilómetros, da cidade de Tal Abyad à de Ras al-Ayn, metade da qual ainda está nas mãos dos curdos, segundo o OSDH.

As autoridades curdas tentaram hoje enviar uma equipa médica a Ras al-Ayn para tentar retirar os feridos dos últimos dias, disse à agência France Presse Hassan Amin, um responsável do hospital de Tal Tamr, uma cidade mais a sul.

Referindo que "a situação dos feridos é crítica e o seu número elevado", Amin adiantou que "a equipa médica não foi autorizada a entrar" na cidade, tendo o OSDH acusado os rebeldes sírios pró-turcos.

Mais tarde um correspondente da AFP em Tal Tamr relatou a partida de uma caravana de 200 veículos que deverá ajudar a retirar civis das zonas de combate.

As Nações Unidas anunciaram hoje que mais de 2.300 pessoas, a maioria mulheres e crianças, fugiram aos combates para se refugiram no Iraque nos últimos dias.

"Pelo quarto dia consecutivo, o Alto Comissariado para os Refugiados (...) acolheu centenas de refugiados que passaram a fronteira entre o nordeste da Síria e o Iraque", disse o porta-voz do ACNUR, Andrej Mahecic, numa conferência de imprensa em Genebra.

"Mais de 1.600 refugiados sírios foram conduzidos até ao campo de refugiados de Bardarash", a cerca de 150 quilómetros do leste da Síria, precisou.

A ONU calcula que cerca de 166.00 pessoas fugiram das suas casas desde o início da ofensiva turca, enquanto o OSDH a operação militar provocou 300.000 deslocados em oito dias.

Segundo a ONG, perto de 500 pessoas foram mortas, entre as quais dezenas de civis, na maioria curdos.

Lusa