Mundo

Caçador de planetas da NASA dedica-se também à caça de extraterrestres

Ilustração do satélite TESS

NASA

Cientistas da missão TESS juntam-se ao projeto SETI à procura de vida extraterrestre inteligente.

Os cientistas que trabalham na missão TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite, Satélite de Rastreio de Exoplanetas em Trânsito), lançado em abril de 2018, vão colaborar no projeto Breakthrough Listen à procura de vida extraterrestre inteligente (SETI).

"É emocionante que o mais poderoso (mecanismo) de busca SETI, com instalações em todo o mundo, colabore com a equipa TESS e com a nossa mais poderpsa máquina de caça aos planetas", disse em comunicado Pete Worden, diretor executivo da Breakthrough Initiatives, responsável pelo o Projeto Breakthrough Listen, fundado em 2015 pelo milionário russo Yuri Milner.

"Estamos ansiosos para trabalhar juntos para tentarmos responder a uma das perguntas mais importantes sobre o nosso lugar no universo: estaremos sozinhos?", acrescentou Worden.

Missão de dois anos à caça de exoplanetas

O telescópio TESS foi lançado a 18 de abril de 2018 a bordo do foguetão Falcon 9, da empresa aeroespacial privada SpaceX, da base de Cabo Canaveral, na Florida, nos Estados Unidos.

Poucos meses depois de entrar em órbita, o satélite artificial começou a sua missão, com uma duração inicial de dois anos, descobriu primeiro uma "Super-Terra" e, três dias depois, uma "Terra muito quente" em sistemas solares distantes.

A "Super-Terra", primeiro exoplaneta descoberto pelo TESS, orbita a estrela Pi Mensae, ou HD 39091, a cerca de 59.5 anos-luz da Terra, na constelação Mensa, a mesa. Pi Mensae é uma estrela-anã amarela como o nosso Sol.

A "Terra muito quente" é ligeiramente maior que o nosso planeta e orbita a estrela-anã vermelha LHS 3844, a 49 anos-luz daqui - o que é considerado muito perto. Demora 11 horas a dar a volta à estrela - um ano muito curto o que significa que está demasiado perto para ser habitável.

NASA

Já este ano, em janeiro, detetou três novos planetas e seis supernovas fora do nosso sistema solar.

Até à data o telescópio TESS detetou mais de 1000 "objetos de interesse", 29 dos quais são exoplanetas confirmados.

Ao contrário do telescópio espacial Kepler, também da NASA, que "caçou" mais de 2.600 exoplanetas numa determinada zona do céu, a maioria a orbitar estrelas pouco brilhantes, entre 300 e 3.000 anos-luz da Terra, o TESS vai procurar novos planetas fora do Sistema Solar em todo o céu.

No primeiro ano da missão observou o hemisfério sul e no segundo ano, a decorrer, observa o hemisfério norte, com o telescópio a concentrar-se em planetas que orbitam estrelas próximas da Terra, a menos de 300 anos-luz, e 30 a 100 vezes mais brilhantes do que as estrelas-alvo do Kepler.

Cientista português "a bordo" da missão

Na missão TESS participa o investigador Tiago Campante, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, que esteve envolvido no planeamento científico, nomeadamente na seleção de estrelas-alvo a observar.

Com o telescópio em funcionamento, o astrofísico vai estudar em particular a vibração (oscilações no brilho) das estrelas a partir da decomposição da sua luz.

Estas oscilações permitem caracterizar detalhadamente as estrelas, como a sua massa, o diâmetro e a idade, conforme explicou anteriormente à Lusa o cientista, contemplado este ano com uma bolsa europeia Marie Curie no valor de 160 mil euros.

Tiago Campante sublinhou que o telescópio vai fazer "a deteção, o levantamento" de exoplanetas "por todo o céu".

Planetas que possam, inclusive, estar na chamada "zona habitável" da estrela (planetas nem demasiado perto nem demasiado longe da estrela-mãe e que, por isso, poderão ter à superfície água líquida, elemento essencial para a vida tal como se conhece).

O astrofísico adiantou na altura à Lusa que a validação dos novos planetas extrassolares detetados será feita em terra com outros telescópios por outros investigadores, incluindo portugueses, do núcleo do Porto do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, especialista neste tipo de planetas.