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Oito mortos e mais de 500 feridos em confrontos na Bolívia

Henry Romero

Violência intensificou-se quando Evo Morales renunciou ao cargo de Presidente e grupos provocaram roubos, incêndios e a destruição de mobiliário urbano.

A crise desencadeada pelas eleições gerais de 20 de outubro na Bolívia, que já levou Evo Morales a renunciar ao cargo de Presidente, causou oito mortos, 508 feridos e 460 detenções, anunciou esta quarta-feira a Defensoria do Povo.

A organização nacional de defesa dos direitos humanos explica que ao longo de 24 dias de manifestações decorreram diversos incidentes, com uma das últimas vítimas a ser o comandante da unidade de operações especiais da Polícia de La Paz, que morreu após sofrer um acidente rodoviário enquanto tentava controlar os protestos.

A cidade de Cochabamba, no centro do país, regista três mortes, e La Paz, capital, sede do governo e do parlamento na Bolívia, e Santa Cruz, a cidade mais populosa, duas mortes cada.

Em Potosí, uma cidade com uma longa tradição mineira no sul da Bolívia, morreu outra pessoa.

A maioria dos feridos registados até ao momento, 469, sofreu danos causados por civis, enquanto os outros 39 tiveram de ser tratados por ferimentos causados pela polícia, segundo o relatório da Defensoria do Povo da Bolívia.

O documento destaca que 13 agentes da polícia, 11 crianças e oito jornalistas foram agredidos durante os protestos.A maioria dos feridos durante as mobilizações são homens, 438, existindo registo de 70 mulheres também feridas.

A violência intensificou-se na Bolívia no domingo, quando Evo Morales renunciou ao cargo de Presidente do país e grupos provocaram roubos, incêndios e a destruição de mobiliário urbano em diferentes regiões.

Os confrontos entre os apoiantes de Morales e as forças de segurança causaram cinco mortos entre 11 e 12 de novembro, segundo a organização.

Quatro dessas mortes foram provocadas por ferimentos de bala durante a intervenção conjunta das Forças Armadas bolivianas e da polícia, enquanto a quinta morte foi causada por estrangulamento, segundo o relatório.

Depois do aumento da violência nesta semana, as forças armadas concordaram em apoiar a polícia para acabar com os atos de vandalismo, especialmente em cidades como La Paz e El Alto.

No dia de hoje voltaram a registar-se confrontos no centro de La Paz, entre manifestantes que apoiam Evo Morales e a polícia, no primeiro dia do mandato da presidente interina da Bolívia, Jeanine Añez.

Lusa