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Governo russo demite-se

DMITRY ASTAKHOV / SPUTNIK / GOVERNMENT PRESS SERVICE POOL

O anúncio foi feito esta quarta-feira, no mesmo dia em que o Presidente Putin anunciou uma reforma constitucional e propôs o nome do chefe do Serviço Federal de Impostos da Rússia para primeiro-ministro.

O Governo russo anunciou esta quarta-feira a demissão, numa declaração conjunta, na televisão estatal, com o primeiro-ministro demissionário o Presidente Vladimir Putin.

Dmitri Medvedev justificou a demissão para permitir a Vladimir Putin fazer alterações à Constituição.

Durante o discurso conjunto, o Presidente Putin agradeceu os serviços prestados pelo primeiro-ministro, um aliado, mas lembrou que o gabinete do primeiro-ministro demissionário não cumpriu todos os objetivos estabelecidos.

"Nós, como Governo da Federação russa, devemos dar ao Presidente os meios para tomar todas as medidas necessárias. Por isso, (...) o Governo no seu todo renuncia", disse Medvedev, segundo a agência Tass.

No anúncio, o chefe de Estado esclareceu ainda que Medvedev vai assumir a vice-presidência do Conselho de Segurança da Rússia, ao qual Putin preside, e pediu ao gabinete do primeiro-ministro demissionário para se manter em funções até à nomeação de um novo Governo.

DMITRY ASTAKHOV / SPUTNIK / GOVERNMENT PRESS SERVICE POOL

Sai Medvedev e entra Mishustin

O Presidente russo propôs ao Parlamento o nome de Mikhail Mishustin, atual chefe do Serviço Federal de Impostos da Rússia, para o cargo de primeiro-ministro.

A informação é avançada pelo Sputnik, que garante que Mishustin já aceitou a proposta do Presidente russo e que o Parlamento federal vai discutir já esta quinta-feira o nome para primeiro-ministro.

"O conselho da 'Duma Federal' corrigiu a agenda para a16 de janeiro, para considerar a candidatura a primeiro-ministro."

Putin anuncia reforma vista como tentativa de se manter na presidência

O anúncio da demissão surge depois do Presidente russo propor um referendo nacional sobre reformas da Constituição para reforçar os poderes do parlamento, preservando o caráter presidencial do sistema político que dirige há 20 anos.

"Considero necessário submeter ao voto dos cidadãos do país o conjunto das revisões da Constituição propostas", disse Vladimir Putin, citado pela Lusa, no seu discurso anual ao parlamento e às elites políticas, sem adiantar quaisquer datas.

As alterações constitucionais pedidas por Putin sugerem a intenção de permanecer na liderança da Rússia após o final do seu quarto mandato presidencial.

O atual mandato de Putin expira em 2024, e as elites políticas russas têm especulado com insistência sobre os seus futuros planos.

Putin, 67 anos, está no poder há mais de 20 anos, um período mais longo que qualquer outro líder russo ou soviético à exceção de Josef Estaline.

No seu segundo mandato, em 2012, uma alteração constitucional prolongou as funções de chefe de Estado de quatro para seis anos.

De acordo com a atual Constituição, Putin terá de deixar a presidência após o final deste quarto mandato, iniciado em 2018, que limita o cargo a dois termos consecutivos.

Porque se demitiu o primeiro-ministro da Rússia?

A explicação do comentador da SIC, José Milhazes.

Demissão é um sinal de mudança "num país estagnado"