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George Pell teve conhecimento de abusos sexuais de padres australianos

Mark Dadswell

Conclusões de um inquérito da Comissão Real de Respostas Institucionais ao Abuso Sexual de Crianças australiana.

As conclusões de um relatório de 2017 foram reveladas esta quinta-feira e envolvem o nome de George Pell, ex-responsável das Finanças do Vaticano, que também já tinha sido condenado por alegado abuso sexual de dois menores nos anos 90. Foi no mês passado, em abril, que o cardeal australiano foi libertado, depois de a sentença ter sido anulada pelo Supremo Tribunal.

O plenário dos juízes do Supremo Tribunal da Austrália considerou que havia "uma possibilidade significativa de uma pessoa inocente ter sido condenada porque a prova não estabeleceu culpa com o nível de evidência exigido", de acordo com a decisão à qual a agência de notícias Efe teve acesso.

Porém, o cardeal australiano está implicado noutra polémica. Segundo um inquérito de 2017, agora tornado público, George Pell teve conhecimento de dois casos de pedofilia, apesar de ter referido que não conhecia nenhum dos padres.

Pell esteve envolvido na decisão de transferir Ridsdale, padre preso por abuso sexual de menores ao longo de três décadas, bem como outros suspeitos de abuso, para diferentes paróquias. Desde os anos 90, o cardeal é criticado na Austrália pela resposta aos abusos cometidos por sacerdotes dentro da Igreja.

Em 2016, quando Pell testemunhou na Comissão Real de Respostas Institucionais ao Abuso Sexual de Crianças pediu desculpas e disse que tinha "estragado as coisas".

No entanto, não se responsabilizou por não ter denunciado Ridsdale, bem como outros suspeitos de abuso, alegando ter sido enganado por outros clérigos séniores.

O inquérito concluiu ainda que 7% dos padres católicos da Austrália abusaram de crianças entre 1950 e 2010.