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Meninos de Kassange: Quatro crianças já foram encaminhadas para o hospital

"Não existe nenhum armazém com crianças". História contada pela associação "Pedacinho do Céu" na reportagem da SIC "Meninos de Kassange" foi encenada.

A reportagem da SIC, "Os meninos de Kassange", revelou que cerca de duzentas crianças, subnutridas e doentes, estariam num armazém na periferia de Luanda, sem supervisão de adultos ou assistência.

A denúncia foi feita pela associação "Pedacinho do Céu", em Olhão, que tem feito chegar a estas crianças alguns alimentos, através de um intermediário angolano - Hélder Silva - mas que se recusara a dar a localização das crianças, querendo, aparentemente, manter o monopólio da ajuda.

Hélder Silva, que denunciou a existência de um barracão com 200 meninos abandonados, que primeiramente também recusou fornecer à SIC a localização, acedeu dar a localização de algumas crianças a duas ativistas angolanas, que encontraram estes meninos no bairro da Casaca, nos arredores de Luanda.

Associação apenas forneceria a localização quando angariasse donativos para construir orfanato

Ativistas angolanas garantiram que as crianças não se encontravam num barracão, que tinham acompanhamento familiar, e que a história contada pela associação "Pedacinho do Céu" foi encenada.

As crianças existem, estão subnutridas e doentes, tal como é revelado na reportagem. No entanto, foram amontoadas, para que a associação realizasse o vídeo.

Os meninos localizados pela ativistas angolanas foram encaminhadas para o Hospital Pediátrico de Luanda de modo a receberem tratamento.

Autoridades suspeitam dos pedidos de donativos feitos pela associação “Pedacinho do Céu”

A informação inicial falava na baixa de Kassange, no município de Viana, mas foi para o bairro da Casaca, a cerca de 20 km, que Hélder Silva encaminhou as duas ativistas a quem acedeu dar a localização de algumas das crianças doentes e subnutridas que a associação "Pedacinho do Céu" localizou nos arredores de Luanda.

É entre um amontoado de chapas de zinco e plásticos que se encontra a casa de um dos meninos. Dzito xavier, um bebé que aparece na reportagem “Os meninos de kassange”, com uma grave inflamação no pescoço, não está abandonado, como sugeria o homem que denunciou o caso. A criança encontra-se ao cuidado da avó e das irmãs. A mãe vende na praça e o pai é vigilante.

Com os serviços de urgência de sobreaviso, o menino seguiu com um familiar para o Hospital Pediátrico de Luanda.

Hélder Silva, que denunciou a existência de um barracão com 200 meninos abandonados e a precisar de ajuda urgente, tinha recusado sempre fornecer à SIC a localização exata dos menores, inviabilizando o envio de auxílio. Tal como a responsável pela associação “Pedacinho do Céu”, que enviou dinheiro e comida para Angola, mas nunca acedeu dizer onde estavam as crianças, prometendo fazê-lo quando angariasse donativos para abrir um orfanato em Luanda.

O jovem acedeu depois a colaborar com duas ativistas angolanas, com quem a SIC o pôs em contacto, e na quarta-feira levou Laura Macedo e Helena a encontrar mais 3 crianças.

Uma delas é Alexandre, um dos meninos que revelava grande sofrimento, na primeira reportagem emitida pela SIC. O menino, que tem mais 6 irmãos, e que há cerca de 3 anos deixou de falar e de andar, foi encaminhado pelas equipas de emergência médica, na companhia da mãe, para o Hospital Pediátrico de Luanda .

No meio da operação de localização dos menores, Laura Macedo conseguiu perceber que a história contada pela associação “Pedacinho do Céu” foi encenada e alguns factos empolados. As crianças não são órfãs, nem estão em situação de abandono. Têm família e vivem dispersas por diferentes lugares. Foram amontoadas por Hélder Silva, num barracão, para a realização de um vídeo.

A intervenção de resgate dos quatro menores foi coordenada com as entidades oficiais de saúde Em paralelo com outras diligências feitas por diversas entidades e polícia, que bateram, na quarta feira, toda a baixa de Kassange à procura das crianças. Laura Macedo manteve os passos sempre discretos para garantir a colaboração do contacto em Luanda da associação “Pedacinho do Céu”.

Hélder Silva, que tinha prometido encaminhar as voluntárias para os restantes meninos, entretanto ficou incontactável, na sequência da polémica gerada pelo caso.

As autoridades angolanas suspeitam dos pedidos de donativos feitos pela associação “Pedacinho do Céu” e o caso está já sob investigação criminal.