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Causa para a misteriosa morte de centenas de elefantes no Botsuana finalmente apontada

Reuters

Pelo menos 356 animais morreram nos últimos meses.

Centenas de elefantes têm vindo a morrer misteriosamente no Delta do Okavango, no Botsuana, provavelmente há já alguns meses. Depois de ter sido descartada a caça furtiva e de se ter levantado as hipóteses de um novo vírus ou de um veneno, há agora um novo suspeito e não tem mão humana.

Provavelmente os elefantes estão a ser vítimas de toxinas naturais, informou o Departamento de vida selvagem na sexta-feira, 30 de julho, após os testes realizados às carcaças, mas ainda se aguardam os resultados de outras análises.

Fotografias de vários elefantes mortos no delta do Okavango

Fotografias de vários elefantes mortos no delta do Okavango

PHOTOGRAPHS OBTAINED BY REUTERS

Novo vírus, veneno ou caça furtiva descartados

No início de junho, autoridades e organizações não-governamentais do Botsuana anunciaram a morte de centenas de elefantes na região turística do Delta do Okavango durante os últimos meses, suspeitando de uma doença misteriosa.

O diretor do Departamento dos parques nacionais e vida selvagem do Botsuana, Cyril Taolo, confirmou a morte de pelo menos 275 elefantes, enquanto um relatório da organização não-governamental Elefantes Sem Fronteiras (EWB) apontava para a morte de 356 elefantes naquela região.

A causa tem sido um mistério. Numa primeira fase suspeitou-se de envenenamento por cianeto, método frequentemente usado por caçadores furtivos. No entanto, a hipótese foi rapidamente descartada por dois motivos: por um lado, os abutres que se alimentam das carcaças não mostram sinais de contaminação e, por outro lado, todas as presas dos animais têm sido encontradas intactas.

Outra hipótese seria um patógeno que causa problemas neurológicos, como o antraz. Isto porque, de acordo com várias testemunhas, alguns elefantes andavam em círculos.

Segundo a EWB, vários elefantes vivos pareciam "fracos, letárgicos e emaciados, alguns mostram sinais de desorientação, dificuldade em caminhar ou a mancar.

Suspeita-se ainda de algum novo vírus ou de outro tipo de veneno.

Testes ainda não são 100% conclusivos

A investigação prossegue e inclui a ajuda de laboratórios na África do Sul, Zimbabué, Canadá e Estados Unidos,

Em entrevista à agência France-Presse, o diretor do Departamento de Vida Selvagem do Botsuana, Cyril Taolo, avançou para a hipótese de uma toxina natural, embora ressalve que os testes não são 100% conclusivos.

"Com base em alguns dos resultados preliminares que recebemos, consideramos as toxinas que ocorrem naturalmente como a potencial causa das mortes".

Segundo o responsável, algumas bactérias podem produzir veneno naturalmente, principalmente em água estagnada.

Cerca de 70% das carcaças foram encontradas perto de pontos de água.

Siphiwe Sibeko