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Aumento da temperatura vai provocar mais mortes do que as doenças infecciosas

Dominic Ebenbichler/ Reuters

Um novo estudo revela o pior cenário que pode acontecer até 2100.

O número de mortes provocado pelo aquecimento global deverá ultrapassar o de óbitos provocados por todas as doenças infecciosas. Isto se as emissões de gases com efeito de estufa não forem controladas, revela um novo estudo.

O aumento das temperaturas afetará em particular as regiões mais pobres, que não serão capazes de se adaptar, mas os investigadores avisam que a crise económica provocada pela crise climática vai provocar efeitos devastadores em todo o mundo, mesmo nos países mais ricos.

Num cenário em que nada é feito para conter a emissão de gases nocivos para o planeta, a taxa de mortalidade subirá 73 mortes por cada 100 mil habitantes até ao final do século. Números que praticamente igualam os atuais óbitos por todas as doenças infecciosas, incluindo tuberculose, VIH/Sida, malária, dengue e febre-amarela.

O estudo, publicado na National Bureau of Economic Research, utilizou dados referentes a recordes de temperatura para fazer a ligação com o número de mortes registados por insolação ou até ao aumento de ataques cardíacos durante ondas de calor.

“Muitas pessoas idosas vão falecer devido a efeitos indiretos provocados pelo calor”, explicou o economista ambiental Amir Jina - coautor do estudo - ao jornal britânico The Guardian.

“É assustadoramente semelhante à Covid-19 – as pessoas mais vulneráveis são aquelas com condições médicas preexistentes. Se tem um problema de coração e sofrer vários dias seguidos com o calor, é provável que colapse”, disse.

No centro da “pandemia” do calor

As sociedades pobres nas regiões mais quentes do planeta serão as mais afetadas. Países como o Gana, Bangladesh, Paquistão e Sudão vão assistir a um aumento de 200 mortes por cada 100 mil habitantes.

Pelo contrário, países ricos e mais frios como a Noruega e o Canadá vão observar a diminuição do número de óbitos por frio extremo.

“Vemos um impacto muito forte nos trópicos. (…) Os países ricos, mesmo com um aumento da taxa de mortalidade, serão capazes de investir para se adaptar. Serão as pessoas que menos contribuíram para o aquecimento global que vão sofrer mais com ele”, defende Amir Jina.

2020, o ano mais quente de sempre?

Estados Unidos, Europa, Austrália, Índia e o Ártico têm sofrido com consecutivas ondas de calor nos últimos anos, e 2020 poderá quebrar o recorde do ano mais quente alguma vez registado.

“As alterações climáticas são um problema de saúde público e um problema de falta de igualdade”, explica o coautor do estudo.

Neste estudo, o pior cenário prevê ainda, com o contínuo aumento das emissões de gases com efeito de estufa sem qualquer controlo, um aumento da temperatura do planeta em mais de 3ºC até 2100.

Esta não é a primeira vez que cientistas alertam para os efeitos do calor nos humanos. Dizem mesmo que o verão pode tornar-se "demasiado quente" e que o calor e um menor acesso à saúde aumentam a mortalidade.

Recorde, por isso, os cuidados a ter: