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Pouca esperança de encontrar sobreviventes nos escombros em Beirute

Thibault Camus

Um ponto da situação feito pelo exército.

As esperanças estão a diminuir para encontrar sobreviventes no porto de Beirute, cinco dias depois das duas explosões devastadoras que atingiram a capital libanesa, anunciou este domingo o exército do Líbano.

"[Após vários dias de] operações de busca e salvamento, podemos dizer que encerramos a primeira fase, aquela que oferece a possibilidade de encontrar pessoas vivas. Continuamos a ter esperança, mas, como técnicos que trabalham no terreno, podemos dizer que a esperança de encontrar pessoas vivas está a diminuir", indicou o coronel Roger Khouri, chefe do regimento de engenheiros militares, durante uma conferência de imprensa.

Macron pede que se coloquem divergências de lado para ajudar libaneses

Ainda este domingo, na abertura da videoconferência internacional de doadores, o Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu "agir com rapidez e eficácia" para que a ajuda "vá muito diretamente" para a população libanesa.

O chefe de Estado também pediu às autoridades libanesas para "agirem para que o país não se afunde e para responderem às aspirações que o povo libanês exprime com legitimidade nas ruas de Beirute, neste momento. Todos juntos temos o dever de fazer tudo para que a violência e o caos não prevaleçam".

"Porém, hoje, quem tem interesse nesta divisão e caos são os poderosos que querem, de alguma forma, mal ao povo libanês", acrescentou o Presidente, sem citar nomes, a partir da sua residência de Brégançon, em Borme-les-Mimosas (Var, sul de França), na videoconferência coorganizada em poucos dias pela ONU e França e que reúne cerca de 15 dirigentes.

Macron insistiu que a "oferta de ajuda também inclui o apoio a uma investigação imparcial, confiável e independente das causas da catástrofe".

"É um pedido forte e legítimo do povo libanês. É uma questão de confiança. Os meios estão disponíveis e devem ser mobilizados", disse.

Recusa de interferência internacional nas investigações

Porém, nem o Presidente libanês, nem o líder do movimento xiita Hezbollah, Hassan Nasrallah, querem estrangeiros a participar na investigação, alegando a soberania do Líbano para gerir os seus assuntos.

Durante a visita à capital do Líbano, o Presidente francês prometeu que o dinheiro não iria para a "corrupção" e, segundo uma fonte diplomática, citada pela AFP, que a ajuda vai ser concentrada nas necessidades de alimentos e infraestruturas.

CHRISTOPHE SIMON / POOL

Entre os dirigentes está o Presidente norte-americano, Donald Trump, que justificou a participação por querer estar "ao lado de Beirute e do povo libanês" que "lamenta os seus mortos, exprime a sua raiva e quer levantar a cabeça" após a explosão que danificou parte da capital libanesa na terça-feira.

Na videoconferência, além do Presidente do Líbano e anfitrião, Michel Aoun, estão o Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, os primeiros-ministros de Espanha, Pedro Sánchez, de Itália, Giuseppe Conte, e o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit

Ministra libanesa anuncia demissão e pede desculpa pelo "enorme desastre" em Beirute

A ministra da Informação libanesa, Manal Abdel Samad, anunciou hoje a demissão do cargo, num breve discurso transmitido pela televisão local, e pediu desculpas aos libaneses pelo "enorme desastre" em Beirute.

Manal Abdel Samad

Manal Abdel Samad

Handout .

Esta é a primeira baixa no Governo libanês após a explosão que provocou pelo menos 158 mortos, 6.000 feridos e dezenas de desaparecidos, e que aconteceu num armazém onde, segundo o primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, estavam 2.750 toneladas de nitrato de amónio armazenadas, durante seis anos, "sem medidas cautelares".

Papa apela à solidariedade

O Vaticano enviou 250 mil euros à Igreja do Líbano para ajudar as vítimas da explosão em Beirute. Esta manhã, na bênção Urbi et Orbi, o Papa Francisco apelou à solidariedade de todos os povos.

Um retrato de uma capital destruída