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Israel vai deixar de devolver corpos de palestinianos mortos às famílias

Ibraheem Abu Mustafa

Uma decisão considerada "desumana" por defensores dos direitos humanos.

Israel decidiu hoje deixar de restituir às suas famílias os corpos de palestinianos mortos em confrontos com as forças israelitas, uma decisão destinada a pressionar as autoridades palestinianas mas considerada "desumana" por defensores dos direitos humanos.

Após uma reunião do gabinete de segurança, o ministro da Defesa Benny Gantz, líder da formação centrista Azul e Branco, congratulou-se com a aprovação do seu projeto de "deixar de devolver [às famílias] os corpos dos terroristas".

Até ao momento, o Governo autorizava apenas que Israel se apropriasse dos corpos dos combatentes do Hamas, o movimento islamita armado no poder na Faixa de Gaza, e mortos em confrontos que tivessem provocado vítimas israelitas.

A nova diretiva estende esta medida aos corpos de todos os palestinianos, independentemente da sua filiação, mortos em confrontos com as forças israelitas e mesmo que não tenham ocorrido vítimas israelitas, indicaram as autoridades.

Esta nova medida "inclui-se no nosso compromisso em trazer para casa os nossos 'boys'", declarou Gantz numa referência aos dois reféns israelitas e aos dois corpos de israelitas na posse do Hamas, considerados como moedas de troca para obter a libertação de detidos palestinianos ou o repatriamento dos restos de combatentes.

"Aconselho os nossos inimigos a compreenderem bem e interiorizarem esta mensagem", acrescentou Gantz, cujas declarações foram criticadas pela organização não governamental (ONG) israelita Adalah.

Esta organização defende designadamente a família de Ahmed Erekat, sobrinho do secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina (OLP) Saëb Erekat, e que segundo a versão do exército israelita foi morto há dois meses numa tentativa de ataque com viatura, e sem que o corpo tenha sido restituído.

"Esta política de utilizar corpos humanos como moeda de troca viola os valores fundamentais e o direito internacional que proíbe os tratamentos cruéis e desumanos", reagiu a Adalah em comunicado.

No decurso de recentes confrontos na povoação de Deir Abu, na Cisjordânia ocupada, três adolescentes, que segundo o exército judaico estavam munidos de cocktails molotov, foram feridos pelos militares.

Um destes jovens palestinianos, Mohammed Hamdan, 16 anos, sucumbiu aos ferimentos por bala, e segundo fontes locais o seu corpo não foi restituído à sua família.

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