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"Dói respirar, dói dormir, dói comer". As declarações do afro-americano baleado nas costas por um polícia

Stephen Maturen

Jacob Blake fala sobre a importância da vida.

O afro-americano Jacob Blake, que foi atingido por sete tiros à queima-roupa nas costas por um polícia branco em Kenosha, Wisconsin (Estados Unidos), falou sobre a importância e o valor da vida num vídeo hoje divulgado pela comunicação social.

"Há muito mais vida para se viver aqui", declarou Blake, envergando uma bata do hospital onde ainda permanece após o incidente, ocorrido em 23 de agosto e que gerou violentos protestos na cidade de Kenosha.

"A tua vida, e não só a tua vida, as tuas pernas, algo que precisas para andar e seguir em frente na vida, podem ser-te tiradas assim", lamentou o jovem, que sofre de paralisia na metade inferior do corpo e que destacou a sua afirmação com um estalar de dedos.

A gravação, com menos de um minuto de duração, foi divulgada no sábado à noite no Twitter pelo advogado da família de Blake, Ben Crump, e divulgada hoje pelos media locais.

"Dói respirar, dói dormir, dói mover-me de um lado para o outro, dói comer", relatou Blake sobre o que está a enfrentar 24 horas por dia, em que vive com suturas cirúrgicas nas costas e no estômago.

"Eu digo às pessoas para mudarem as suas vidas lá fora. Podemos ficar juntos, ganhar algum dinheiro, tornar tudo mais fácil para o nosso povo, porque muito tempo foi perdido", sublinhou.

O jornal Washington Post relatou que Blake apareceu pela primeira vez em público na sexta-feira numa audiência virtual no tribunal.

A publicação indicou que o afro-americano, de 29 anos, é acusado de agressão sexual em terceiro grau, roubo e conduta desordeira.

Durante a audiência, declarou-se inocente das acusações.

Um polícia disparou para as costas de Blake quando este abria a porta de um automóvel SUV, onde estavam os seus três filhos menores, cena que foi filmada pelas câmaras dos telefones celulares de testemunhas.

Os vídeos mostram Blake a afastar-se dos polícias que estavam a apontar-lhe as armas. Quando se aproximou do SUV e abriu a porta do motorista, um dos polícias agarrou-se pela camisa e disparou sete vezes.

Afro-americano alvejado nas costas pela polícia nos EUA está algemado à cama do hospital

O pai de Jacob Blake, o afro-americano alvejado por sete vezes nas costas por um polícia caucasiano em Kenosha, no Estado norte-americano de Wisconsin, disse que o filho foi algemado à cama do hospital.

Em declarações à CNN, Jacob Blake sénior - ambos têm o mesmo nome - não entende por que razão o filho, que deverá ficar paralisado da cintura para baixo para o resto da vida, está algemado a uma cama de hospital.

"Porquê é que este aço frio está no tornozelo do meu filho? Ele não se pode levantar mesmo que quisesse", questionou na CNN.

O pai contou que quando o filho recuperou a consciência no hospital, lhe perguntou: "Porque dispararam contra mim tantas vezes", tendo-lhe respondido: "Não era suposto eles terem disparado de todo".

O governador democrata de Wisconsin, Tony Evers, lamentou em conferência de imprensa que Jacob Blake tivesse que ser algemado.

"Gostaria que pudéssemos encontrar uma maneira melhor de ajudá-lo a recuperar. Para mim parece contraproducente", afirmou.

O caso de violência policial contra Jacob Blake ocorreu cerca de três meses depois da morte do também afro-americano George Floyd, sufocado por um polícia caucasiano a 25 de maio, em Minneapolis.

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