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Massacres no norte de Moçambique em debate no Parlamento, ONU e UE prometem apoio no combate ao terrorismo

Relatos de decapitações de mais de 50 pessoas por elementos de grupos extremistas islâmicos que alegadamente pertencem ao Daesh.

O conflito armado em Cabo Delgado, norte de Moçambique, vai estar hoje novamente em debate no parlamento, em Maputo, com a análise de um relatório sobre a situação dos direitos humanos na província. Os relatos de massacres já chegaram à ONU e UE que prometem esforços para combater o terrorismo no país.

A agenda de hoje inclui ainda a votação de uma resolução sobre o tema, numa altura em que o conflito tem sido motivo de atenção a nível internacional devido a relatos de massacres cometidos por rebeldes, vitimando centenas de pessoas na última semana, parte das quais alegadamente por decapitação.

Rebeldes armados que desde 2017 atacam Cabo Delgado, com intensidade reforçada desde o início deste ano, fizeram na última semana uma investida sobre o distrito de Muidumbe, destruindo várias aldeias no meio rural.

Sobreviventes em fuga relataram à Lusa a morte de familiares, bem como a perda de casas e outros bens.

Forças de Defesa e Segurança moçambicanas descrevem a situação como "grave"

O relatório que os deputados vão debater, consultado na última semana pela Lusa, foi produzido por uma comissão parlamentar que ouviu as Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas descrevem a situação como "grave", assinalando que o porto e o aeroporto da vila de Mocímboa da Praia continuam nas mãos dos grupos armados.

Por outro lado, o documento assinala que é preciso "reforçar os processos de formação das Forças de Defesa e Segurança, com enfoque em matérias relativas aos direitos humanos".

A violência armada está a provocar uma crise humanitária com cerca de 2.000 mortes e 435.000 pessoas deslocadas para províncias vizinhas, sem habitação, nem alimentos suficientes - concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

As autoridades moçambicanas ainda não se pronunciaram, mas o portal Pinnacle News, que se apresenta como uma rede de comunicadores comunitários, relatou na quinta-feira haver centenas de decapitações num campo de futebol usado como local de extermínio na aldeia de Muatide.

Guterres condena massacres em Moçambique e exige investigação

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse na quarta-feira estar "chocado" com os "recentes relatos de massacres perpetrados por grupos armados não estatais em várias aldeias na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, incluindo a decapitação e rapto de mulheres e crianças".

Sem indicar números, Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, disse à agência Lusa que há "informações de fontes no terreno" que são consideradas "fiáveis", e apontam para um elevado número de mortes.

UE vai "redobrar esforços" para combater terrorismo em Moçambique

O Alto Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros anunciou quarta-feira que Bruxelas vai "redobrar os esforços" para apoiar a segurança em Moçambique.

"Grupos terroristas a criarem raízes em qualquer parte do mundo deixa-nos a todos expostos. A UE vai redobrar os esforços para apoiar Moçambique em regiões importantes de segurança e de estabilidade", escreveu Josep Borrell na rede social Twitter, denunciado que "mais de 50 pessoas" morreram na sequência de "ataque horrífico" no país.

Vários órgãos de comunicação social locais e também internacionais, como, por exemplo, a BBC e o The New York Times, relataram vários massacres que ocorreram nos últimos dias em Cabo Delgado, no Norte de Moçambique.

Estas fontes relataram decapitações de mais de 50 pessoas perpetradas por elementos de grupos extremistas islâmicos, que alegadamente pertencem ao Daesh.

Commonwealth condena massacres e disponibiliza apoio

Este ataque também foi denunciado pela Commonwealth, que pediu uma investigação.

Em comunicado a organização disse que "está pronta para fornecer todo o apoio" que puder a Moçambique para combater o "extremismo violento".

"Os ataques e relatos de sequestros de mulheres, jovens e crianças são uma afronta aos princípios fundamentais dos direitos humanos. A Commonwealth e todos os Estados-membros solidarizam-se com as pessoas afetadas e suas famílias", lê-se ainda no documento.