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Hong Kong. Tribunal nega fiança a magnata dos 'media' e ativista Jimmy Lai

Lam Yik

O magnata e dois dos seus principais quadros dirigentes foram acusados de fraude.

Um tribunal de Hong Kong negou esta quinta-feira a fiança ao magnata dos 'media' Jimmy Lai e ativista pró-democracia, acusado de fraude, no momento em que se somam processos judiciais contra dissidentes e críticos de Pequim.

Lai, de 73 anos, é o dono do jornal Apple Daily, conhecido pelo empenho na luta no campo pró-democracia e pelas duras críticas ao executivo de Hong Kong, alinhado com Pequim.

O magnata e dois dos seus principais quadros dirigentes, Royston Chow e Wong Wai-keung, foram esta quinta-feira presentes a um juiz, acusados de fraude.

Ao contrário do que sucedeu com Lai, o magistrado permitiu que os outros dois dirigentes saíssem em liberdade, mediante pagamento de fiança. O juiz justificou a decisão de não permitir a fiança a Lai por entender que existe o risco de fuga e podia reincidir no crime.

A apreciação do caso em tribunal foi adiada para 16 de abril.

De acordo com documentos do tribunal, o caso refere-se ao facto de a sede do jornal estar alegadamente a ser utilizada para fins não previstos no contrato de arrendamento do edifício.

Centenas de polícias realizaram buscas no edifício em agosto, inclusive na redação do Apple Daily.

Vários responsáveis do grupo de 'media' Next Digital, incluindo Lai, foram detidos por suspeita de "conluio com forças estrangeiras", ao abrigo da nova lei de segurança nacional imposta por Pequim na região semi-autónoma chinesa no final de junho.

Então, ninguém foi formalmente acusado, mas a investigação está em curso.

Lai saiu em liberdade, sob fiança, mas em outubro, após novas buscas, voltou a ser detido. O magnata está também a ser alvo de um processo pelo papel assumido nos protestos de 2019, num caso separado.

Lai já tinha sido detido em fevereiro e abril sob a acusação de participar em protestos não autorizados. Por outro lado, enfrenta acusações de ter participado numa vigília não autorizada que assinalou o aniversário de 04 de junho de 1989, para lembrar a repressão dos protestos pró-democracia na Praça Tiananmen, em Pequim.

A antiga colónia britânica, que em 2019 viveu a sua pior crise política desde a transferência para Pequim em 1997, com protestos a levarem milhões de pessoas para a rua, com exigências que passavam também por reformas democráticas na antiga colónia britânica.

Várias figuras da oposição não foram autorizadas a concorrer às eleições legislativas, as quais foram adiadas por um ano com a justificação do risco acrescido associado ao novo coronavírus. Dezenas de ativistas pró-democracia também foram acusados ou detidos.

Na quarta-feira, três figuras importantes do movimento pró-democracia, incluindo Joshua Wong, foram condenadas a penas de prisão pelo seu envolvimento nos protestos de 2019.