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Sudão acusa Etiópia de bloquear saída de refugiados de Tigray

BAZ RATNER

Membros das forças sudanesas disseram que as pessoas tentaram atravessar, mas foram detidas.

As forças armadas sudanesas acusaram esta quinta-feira as forças etíopes de estarem a bloquear a passagem de refugiados da região separatista de Tigray, no norte da Etiópia, para o Sudão.

A acusação segue-se a alegações feitas anteriormente por refugiados de que as forças etíopes impediram as pessoas de fugir do conflito mortal em Tigray entre as forças federais da Etiópia e forças regionais de Tigray, que dura há cerca de um mês.

Membros das forças sudanesas, falando sob condição de anonimato, disseram que as pessoas tentaram atravessar, de madrugada, da Etiópia para Hamdayet, no Sudão, mas foram detidas, enquanto os refugiados que se encontram do lado sudanês ficaram perturbados e começaram a atirar pedras.

As forças sudanesas patrulharam a área e confirmaram que a travessia da fronteira permaneceu fechada.

Por volta do meio-dia, a agência de notícias Associated Press constatou que mais de uma dúzia de pessoas estavam à espera do lado etíope da fronteira.

As tensões têm vindo a aumentar na fronteira nos últimos dias, à medida que o fluxo de refugiados que atravessam a fronteira tem abrandado de vários milhares para centenas por dia.

O Governo etíope não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da agência noticiosa.

Questionado durante o fim de semana sobre as alegações de refugiados que ficaram bloqueados, o alto comissário das Nações Unidas para os refugiados, Filippo Grandi, disse que a sua equipa não tinha levantado a questão junto do Governo da Etiópia.

Mas, adiantou, que os refugiados relataram a existência de "muitos postos de controlo" e da insegurança que enfrentavam quando fugiam.

"Não ouvimos falar de qualquer bloqueio sistemático", disse Grandi. "Mas certamente há dificuldades crescentes", acrescentou.

Milhares de etíopes fogem do conflito para o Sudão à procura de segurança

Mais de 45.000 etíopes fugiram para o Sudão, primeiro pressionando a generosidade das comunidades locais e depois desafiando a capacidade dos grupos humanitários que se apressaram a criar um sistema para os alimentar e abrigar.

Quase metade dos refugiados são crianças, disse a Organização das Nações Unidas, e muitas pessoas vieram sem nada.

As autoridades disseram que se estão a preparar-se para receber cerca de 100.000 refugiados, mas o Governo da Etiópia incitou os refugiados a regressarem a casa para serem reintegrados e prometeu a sua proteção.

Muitos dos refugiados, principalmente de etnia Tigray, disseram estar a fugir das forças armadas etíopes.

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, lançou em 04 de novembro uma operação militar na região de Tigray, (norte do país), após meses de tensão crescente com as autoridades regionais da Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês).

Durante todo o mês de novembro, a região foi palco de ofensivas militares de ambas as partes, com bombardeamentos e incursões para o controlo das cidades.

Os combates terão matado milhares e levado dezenas de milhares a fugir para o vizinho Sudão.