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Grupo de pediatras acusa governo dos EUA de torturar crianças migrantes

Na fronteira com o México.

Um grupo de pediatras acusa o Governo dos Estados Unidos de torturar imigrantes menores na fronteira com o México, detidos por tentarem entrar no país. A posição foi publicada no Diário Oficial da Academia Norte-Americana de Pediatras.

No documento, garantem que a definição de tortura contra crianças é semelhante à forma como são tratados os menores imigrantes detidos por tentarem entrar no país, sobretudo no que diz respeito a separar as crianças dos pais.

Sofrimento físico e psicológico

Desde logo, porque é provocado, de forma intencional, sofrimento físico ou psicológico às crianças com a finalidade de intimidação ou punição. Tudo isto acontece com o "consentimento das autoridades", dizem os médicos.

O grupo de pediatras lembra que a política de "tolerância zero" lançada em 2018 pela administração Trump incluía a separação de crianças das famílias para dissuadir os migrantes ilegais de tentarem entrar no país.

Morreram 7 crianças sob custódia das autoridades norte-americanas

Segundo a última contabilização feita, mais de 30.500 menores foram detidos na fronteira. Milhares destas crianças foram separadas dos pais e, apesar de uma ordem judicial ter obrigado à reunificação, mais de 600 ainda não conseguiram juntar-se à família.

Mantidas em "condições precárias e perigosas", referem os médicos, nos últimos três anos pelo menos sete crianças morreram sob custódia das autoridades ou logo após terem sido libertadas. As que sobreviveram acabaram por revelar comportamentos traumáticos que se refletem na depressão ou mesmo em tentativas de suicídio.

Por tudo isso, o grupo de médicos pede às organizações de defesa dos direitos humanos e aos tribunais que atuem, investiguem e tomem medidas para que situações destas deixem de acontecer.