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Navalny prossegue greve de fome apesar de doença respiratória

O opositor russo Alexei Navalny

MOSCOW CITY COURT PRESS SERVICE HANDOUT

Opositor russo acusa a administração penitenciária de negar-lhe acesso a um médico e de "torturá-lo" pela privação de sono.

Alexeï Navalny, opositor russo a cumprir pena no país, afirmou esta terça-feira que irá prosseguir uma greve de fome contra as condições em que se encontra detido, apesar da deterioração da sua situação de saúde.

"Estou a citar os dados oficiais da temperatura tirada hoje: uma tosse forte, 38,1°C de temperatura", escreveu Navalny na sua conta na rede social Instagram.

Instagram

"Vou continuar com a greve de fome, é claro", acrescentou o opositor russo de 44 anos de idade, sobrevivente de uma tentativa de envenenamento, que está detido na prisão de Pokrov, 100 km a leste da capital, Moscovo.

Já esta noite, o jornal pro-Kremlin Izvestia informou que Navalny foi transferido para um posto médico por apresentar "sinais de doença respiratória, nomeadamente febre alta".

"Todas as análises necessárias foram feitas, incluindo um teste de infeção pelo coronavírus. O detido foi transferido para a unidade médica onde está sob observação", disse o Izvestia, citando os serviços penitenciários (FSIN).

Navalny protesta contra condições de detenção

Detido desde 11 de março, Navalny anunciou em 31 de março que entrou em greve de fome para protestar contra as suas condições de detenção, acusando a administração penitenciária de negar-lhe acesso a um médico e de "torturá-lo" pela privação de sono.

Na publicação no Instagram, Navalny também indica que um detido numa cela próxima foi hospitalizado na segunda-feira por tuberculose, o terceiro caso desse tipo em poucas semanas entre 15 prisioneiros.

Vários meios de comunicação russos pró-Kremlin, incluindo o canal de televisão público RT, publicaram reportagens nos últimos dias retratando Pokrov como uma colónia penal "exemplar", motivo de ironia para Navalny.

"Aqui está a nossa `colónia perfeita, exemplar´(...) insalubridade, tuberculose e falta de remédios. Estou surpreso que haja também o vírus Ébola aqui", escreveu Navalny.

Navalny acusa o presidente russo, Vladimir Putin de ter ordenado ao Serviço Federal de Segurança (FSB) o seu envenenamento, uma alegação que Kremlin tem sistematicamente desmentido.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, recusou comentar a greve de fome de Navalny, ao afirmar que esse assunto não lhe diz respeito.

A Defensora do Povo da Rússia Tatiana Moskalkova, provedora no país, enviou sexta-feira uma carta à direção do Serviço Penitenciário Federal para que garanta os cuidados médicos necessários a Navalny.

A Defensora do Povo indicou que uma das prioridades da sua gestão radica na "garantia dos direitos de um serviço médico de qualidade nas instituições prisionais da Rússia".

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